Aiea ajuda Moçambique recensear locais com possível material radioactivo

3 abril 2012

A iniciativa visa medir a radiação nas zonas identificadas e saber se o material pode ser nocivo para a saúde da população; Governo admite existência de armamento obsoleto nas antigas bases militares do ex-movimento rebelde após conflito armado que durou 16 anos.

Manuel Matola, da Rádio ONU em Maputo.

A Agência Internacional de Energia Atómica, Aiea, está a apoiar o Governo de Moçambique a fazer um recenseamento de zonas no país que eventualmente tenham material nuclear e radioactivo.

A agência da ONU pretende com esta iniciativa medir a radiação nas zonas identificadas e saber se o material pode ser nocivo para a saúde da população.

Acordo Geral da Paz

Durante 16 anos, o Governo de Moçambique e o antigo movimento rebelde, a Resistência Nacional de Moçambique, Renamo, envolveram-se num conflito armado, que terminou após o acordo geral de paz, rubricado na capital italiana, Roma, em 1992.

O ponto focal de cooperação entre Moçambique e a Agência Internacional de Energia Atómica, António Leão, explicou à Rádio ONU, de Maputo, o propósito da iniciativa.

"O que se pretende é que cada país membro (da Aiea) evite o uso da tecnologia e ciência nuclear para fins de guerra".

Processo de Identificação

As autoridades moçambicanas admitem a existência de armamento obsoleto nas antigas bases militares da Renamo espalhadas pelo país. António Leão apelou, no entanto, para que não se politize o processo de identificação destes locais.

"Isto é um aspeto de saúde que transcende a questão política, porque tanto interessa à Renamo como ao Governo ter as pessoas em saúde. Não vamos politizar. Penso que cada um de nós está interessado em saúde".

Até ao final do ano, o Parlamento moçambicano deverá aprovar a Lei Nuclear, cuja elaboração conta com apoio técnico de peritos da Agência Internacional de Energia Atómica.

 

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