Responsável da ONU afirma que Estado sírio pode estar a consentir uso da violência

23 fevereiro 2012

A comissão de inquérito das Nações Unidas compilou uma lista de nomes de pessoas alegadamente responsáveis pela violência para potencial futura ação judicial por crimes contra a humanidade.

[caption id="attachment_211224" align="alignleft" width="350" caption="Situação na Síria agrava-se"]

Camila Viegas-Lee, da Rádio ONU em Nova Iorque*.

A Comissão das Nações Unidas de Inquérito sobre a Síria, criada para investigar as violações dos direitos humanos no país, publicou nesta quinta-feira um relatório afirmando que violações dos direitos humanos generalizadas, de forma sistemática e graves estão a ser cometidas na Síria, com o aparente conhecimento e consentimento dos mais altos quadros do Estado.

A Comissão de Inquérito entregou um envelope selado contendo nomes de pessoas alegadamente responsáveis pela violência para o Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos.

Direitos Humanos

Essa lista poderá ser usada numa potencial ação judicial por crimes contra a humanidade.

Segundo Paulo Sérgio Pinheiro, chefe da Comissão de Inquérito da ONU, uma parte do relatório lida com a responsabilidade individual e responsabilidade por parte das políticas do Estado. Paulo Pinheiro descreveu à Rádio ONU, de Nova Iorque, como as práticas de violência foram realizadas:

“Localizamos isso em algumas partes do país e como não somos um órgao de investigação criminal, decidimos depositar junto ao Alto Comissariado uma lista de nomes e também de unidades militares das forças de segurança e departamentos responsáveis para que no futuro, por decisão do povo da Síria ou por colaboração de outras instituições internacionais venha a ocorrer o inquérito criminal sobre essas responsabilidades”.

Segundo o chefe da comissão, a lista também contém nomes de pessoas de grupos armados anti-governamentais que, segundo o responsável, cometeram abusos de direitos humanos.

Mais de oito mil pessoas já morreram no país desde março, altura em que os manifestantes pró-democracia começaram a sair à rua para pedirem mudanças no regime do presidente Bashar al-Assad. O governo sírio indica que o número de mortos é de quatro mil.

Abusos

Ainda segundo Pinheiro, a escalada da violência no país é “extremamente preocupante”.

“Três meses razoavelmente pacíficos foram seguidos de uma repressão brutal por parte do governo e nós desde então estamos vendo uma escalada (de violência) chegando até esse absurdo da situação dos bombardeios em Homs”.

O relatório estima que mais de 18 mil pessoas tenham sido presas e detidas pelo governo sírio e também indica que grupos da oposição armada têm detido, torturado e executado adversários.

A Comissão aponta que o governo sírio não está a dar sinais de tentar proteger as crianças, o que resultou na morte de mais de 500 nas mãos de atiradores de elite e das forças estatais.

O Governo da Síria não permitiu o acesso da comissão ao país.

*Apresentação: Joyce de Pina.

 

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