Estudo em Moçambique dá vantagem a crianças que frequentam pré-escolar

21 fevereiro 2012

Pesquisa sobre apoio à educação infantil foi feita pela organização não- governamental Save the Children e usado como caso de estudo pelo Banco Mundial. Apenas quatro por cento dos 4,5 milhões de crianças moçambicanas com menos de cinco anos têm acesso à educação infantil.

[caption id="attachment_204749" align="alignleft" width="350" caption="Foto: UN PHOTO"]

Manuel Matola, da Rádio ONU em Maputo.

Uma pesquisa sobre a educação infantil em Moçambique refere que as crianças moçambicanas das zonas rurais com acesso ao ensino pré-escolar têm maiores possibilidades de continuarem os estudos com melhor aproveitamento.

Estes resultados constam de um documento do Banco Mundial, que toma como caso de estudo uma pesquisa feita pela organização não- governamental (ONG) Save the Children em cerca de 30 comunidades da província de Gaza, no sul de Moçambique.

Ensino Pré-Escolar

A análise sobre o apoio à educação infantil foi realizada num período de aproximadamente três anos em cinco distritos daquela província, abrangendo um total de seis mil crianças, dos três aos cinco anos.

Falando à Rádio ONU, em Maputo, a coordenadora nacional da área de Educação na Save the Children, Nacima Figia, assinalou a importância de se investir na educação pré-infantil para garantir um desenvolvimento pleno da criança.

“Os resultados que nós colhemos com a implementação deste projeto foi que realmente as  crianças na faixa etária dos 0 aos 8 anos quando preparadas, passando por uma fase que é a escolinha, a pré-primária, elas têm um aproveitamento mais harmonioso das suas potencialidades e suas capacidades para as classes subsequentes, ou para o sistema, a primária, secundárias e por ai adiante. As suas capacidades sociais, cognitivas são muito mais positivas, patentes”.

Acesso à educação infantil

De acordo com a ONG,  dos cerca de 4,5 milhões de crianças moçambicanas com idade inferior a cinco anos, somente 66 mil, o equivalente a quatro por cento, têm acesso à educação infantil.  Moçambique tem 22 milhões de habitantes.

Segundo o estudo, o programa da Save the Children ajudou a construir Escolinhas, como são conhecidas as estruturas de ensino do pré-escolar em Moçambique, para cerca de cinco mil órfãos e crianças vulneráveis entre os três e os cinco anos, com a ajuda de voluntários das comunidades rurais.

Matemática

Nacima Figia revela que, nestes locais, os alunos que entram mais cedo na escola têm tendência para se interessar pela Matemática e escrita e demonstram respeito por outras crianças, em comparação com que as que ingressam mais tarde.

“Neste estudo focamos a questão da socialização da criança, ou seja, o relacionamento entre pais e filhos, o relacionamento entre criança-criança e também o desenvolvimento harmonioso das suas capacidades mentais. Esta criança quando entra na escola primária, quando o professor lhe manda fazer uma actividade, ela antes de fazer a actividade, pensa. Isso foi um dos aspetos que mostrou que colocar a criança nas escolinhas, na pré-infância, garante a produtividade plena da criança como indivíduo”.

O Governo de Moçambique previa reintroduzir o ensino pré-primário gratuito este ano mas não teve verbas para o fazer.

 

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