Acnur recorre à imaginação para gerir maior campo de refugiados do mundo

27 janeiro 2012

Apesar da insegurança e do reduzido número de pessoal humanitário no terreno, a agência da ONU que manter-se activa no complexo que alberga o maior campo de refugiados do mundo, Dadaab, situado no Quénia. Pôr os refugiados a gerir as várias comunidades é uma forma de criar mais e melhor involvimento.

[caption id="attachment_210741" align="alignleft" width="350" caption="Refugiados em Dadaab "]

Joyce de Pina, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Numa tentativa de manter as operações no terreno, apesar da insegurança e do reduzido número de pessoal humanitário com acesso ao campo de Dadaab no Quénia, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, decidiu explorar novas formas de manter a assistência que tem dado aos refugiados. Recorde-se que Dadaab é o maior campo do género no mundo.

As novas medidas passam por incutir um mais forte e profundo sentido de envolvimento das comunidades refugiadas nas operações quotidianas do campo, envolvendo várias faixas etárias e grupos, como jovens, idosos ou homens de negócio.

Treino

Além deste envolvimento, o Acnur está também a dar treino, orientação e a fazer capacitação dos refugiados em várias áreas.

Os refugiados ocupam posições chave, como em hospitais no campo, que se mantiveram abertos durante períodos difíceis, como o que o complexo atravessa neste momento. Os hospitais, por exemplo, têm como funcionários refugiados, nacionais quenianos e um número limitado de pessoal internacional.

Nas situações em que pessoal internacional ou nacional não pode entrar no campo, os refugiados ocupam as posições, tal como foram treinados, para administrar pelo menos os serviços básicos.

Refugiados ao Leme

Muitos dos parceiros do Acnur trabalham com os refugiados em áreas que vão desde a identificação de vítimas de violência sexual, até à prevenção contra surtos de cólera. Outros treinos passam pela identificação de necessidades urgentes em famílias, ou assistência às crianças órfãs, ou vítimas de violação sexual e outros tipos de violência.

Entretanto, muitos dos refugiados começaram a oferecer-se como voluntários para a recolha do lixo e controlo do acesso aos pontos de água.

O complexo tem mais de 300 escolas, mantidas e geridas por professores refugiados. O patrulhamento das escolas e sua segurança são garantidos pela própria comunidade.

Identificar Colaboradores

O Acnur e as agências parceiras estão a tentar identificar grupos específicos no seio dos residentes do campo para reforçar o papel que os refugiados podem ter no seu próprio campo.

Dadaab tem mais de 460 mil pessoas. Um terço da sua população instalou-se no campo no ano passado, fugida da seca, fome e abusos sofridos na Somália. Mas o campo foi aberto há 20 anos e originalmente pensado apenas para 90 mil pessoas.

 

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