Mares e costas saudáveis como forma de salvar economia e erradicar a pobreza

25 janeiro 2012

O potencial para o crescimento económico e a erradicação da pobreza através da exploração sustentada do setor marítimo está por explorar; o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, chama a atenção para os recursos naturais dos mares e costas como fonte de mudança.

[caption id="attachment_210586" align="alignleft" width="350" caption="Foto: FAO"]

Joyce de Pina, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, chama a atenção para os mares e as costas.

De acordo com a agência, estes são fontes  que oferecem um potencial de crescimento económico e de erradicação da pobreza, se devidamente bem geridos.

Saúde Marítima

No mais recente relatório “Economia Verde num Mundo Azul”, o Pnuma sublinha a “saúde” ecológica e a produtividade económica dos ecossistemas marítimo e costeiro, que estão actualmente em declínio.

No entanto, a agência indica que podem ser revitalizadas se um modelo de economia sustentada for aplicado de forma a promover o potencial natural.

Esse potencial passa pela energia renovável, ecoturismo e pesca e transporte sustentados.

Difícil Escolha

Para André Dias, armador da pesca da sardinha em Portimão, no Algarve, em Portugal, adaptar a pesca à economia verde não é fácil, mas algo tem de ser feito.

Em entrevista à Rádio ONU, de Portimão, André, que é um dos armadores portugueses certificados com o selo de qualidade de pesca sustentada, explica:

“Tem sido muito difícil porque, para manter a pescaria sustentável dentro dos valores que foram apurados pela investigação da biomassa que está disponível, tivemos uma redução na quota, pelo menos para estes cinco meses inciais do ano, na ordem dos cinquenta por cento. Portanto, manter esta forma de estar tem um custo, dentro daquilo que é a faturação da empresa, do negócio, muito pesado, não é.”

A situação de André espelha outros milhares de pescadores que fazem face a problemas semelhantes.

Viver do Mar

Sendo os oceanos um dos pilares-chave das economias de muitos países, é apenas “natural”, de acordo com o relatório, que se apostem em investimentos amigos do ambiente e na cooperação internacional.

É importante gerir estes ecossistemas transnacionais essenciais para a transição da dependência no carbono para uma economia verde.

André Dias sublinha como as mudanças no ecosistema marítimo e marinho no Algarve estão a afetar seu negócio.

“A pesca já não é o que era hoje em dia. Os recursos são muito mais diminutos. Em Portimão temos menos de metade do esforço de pesca de  15 anos atrás. Até há uns três anos para cá, o peixe começou a ficar gordo mas tarde. O peixe começava a ficar com um teor de gordura superior a partir de junho e isso agora acontece mais tarde. A partir de julho é que o peixe começa a ficar melhor para consumo a fresco.  As águas estão mais quentes hoje em dia do que estavam antes e isso também tem um impacto negativo nos ciclos e nos animais.”

De acordo com o relatório da agência das Nações Unidas, 40 por cento da população mundial vivem a uma distância máxima de 100 quilómetros da costa.

Estas zonas geográficas providenciam alimentação, abrigo e forma de vida a milhões de pessoas, mas o impacto da presença humana nestes ecossistemas é cada vez maior e mais negativo.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud