Angola aposta em programa para “ensinar professores a ensinar”

25 janeiro 2012

Tornar as aulas mais interessantes, captar a atenção dos alunos e, acima de tudo, aprender a ensinar – estes são alguns dos objectivos do programa do governo angolano para “ensinar professores a ensinar”.

[caption id="attachment_203012" align="alignleft" width="350" caption="Iniciativa tem apoio do Unicef"]

Joyce de Pina, da Rádio ONU em Nova Iorque*.

Para muitos dos professores angolanos, manter os mais pequenos em salas de aula, onde por vezes não há equipamento, é um trabalho dífícil. E dar aulas nestas circunstâncias é um desafio para muitos.

Grande parte dos professores de Angola não recebeu treino formal para dar aulas. É um dos legados de 27 anos de guerra civil, que impediu a preparação de professores qualificados, ou a construção de escolas em número suficiente.

Testemunho

Cecília Kuyela, professora-treinadora, é uma das 350 professoras qualificadas que percorre o país para treinar os outros colegas.

“A impressão que eu tive aqui, nesta sala, é que a metodologia não é própria. A aula bem podia ser mais dinamizada, faltou um pouco de mais dinamismo, para que as crianças ficassem mais motivadas e aprendessem com mais facilidade”.

Cecília viaja pelas províncias do país, de escola em escola, para ajudar os professores a melhorar as metodologias de ensino e melhorar a sua própria educação.

O que Cecília faz é parte do programa de Assistência à Educação Primária, Paep, do governo de Angola. O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, apoia a componente de treino dos professores e a União Europeia financia.

Resultados

Até agora, os resultados têm sido positivos. Maria Emilia, professora da escola primária 61, conta as vitórias conseguidas:

“O Paep trouxe uma inovação para nós aqui no ensino. Conforme vê, os meus alunos são da segunda classe, mas já conseguem formar frases, já conseguem escrever palavras, então foi muito bom.”

Depois de anos de paz e com a corrida para atingir as Metas do Milénio, em Angola o número de crianças a inscreverem-se  na escola disparou. E enquanto milhares de escolas estão as ser construídas, o governo está a concentrar-se na qualidade do ensino.

Justino Jerónimo, responsável pelo departamento de treino para professores do Ministério da Educação, traça a equação clara: para termos melhor qualidade de ensino, temos de ter melhor treino para os professores:

Aposta

“Hoje, a apreocupação é termos os professores mais qualificados. Se queremos ter educação de qualidade, vamos dizer. A questão da inclusão não foi totalmente atingida, mas está próxima de ser atingida, as taxas líquidas de escolarização já melhoraram . Agora é preciso melhorar a qualidade das aprendizagens, temos que melhorar a qualidade da formação dos professores”.

A aposta de Angola é nos recursos humanos. Não só na qualidade dos seus professores, mas através destes, criar uma próxima geração de qualidade. De líderes.

*Com reportagem do Unifeed

 

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