Obituário: Malam Bacai Sanhá, ‘um político que buscava consensos’

10 janeiro 2012

Estudante universitário na ex-Alemanha de Leste, a vida do antigo presidente da Guiné-Bissau segue a do partido Paigc, fundado por Amílcar Cabral. Muçulmano natural de Empada, Bacai Sanhá conseguiu a presidência à terceira candidatura, mas a morte veio a interromper mandato.

[caption id="attachment_209893" align="alignleft" width="350" caption="Malam Bacai Sanhá"]

Joyce de Pina, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Malam Bacai Sanhá nasceu, em 1947, na região de Empada, no sudeste da Guiné-Bissau. Na época, o país marcado pela variedade de etnias, línguas e religiões, ainda era uma colónia de Portugal. Bacai Sanhá pertencia à etnia beafada e era muçulmano.

No início dos anos 70, sem faculdades na Guiné, foi estudar para a antiga República Democrática Alemã. Licenciou-se em Ciências Sociais.  Foi nesta época que a Guiné se tornou a primeira colónia portuguesa a declarar-se independente.

Ministro

Ao regressar à Guiné-Bissau, dedicou os 10 anos seguintes ao Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, Paigc. No partido, fundado por Amílcar Cabral, Bacai Sanhá subiu degrau a degrau. No início dos anos 80, foi chamado para integrar o governo como ministro da Informação e Comunicações e depois ministro da Função Pública e do Trabalho.

Chegou à Presidência em 2009. Os seus colegas descrevem-no como um “homem do partido” e leal. Antes da chefia do Estado, foi presidente da primeira Assembleia Nacional multipartidária da Guiné-Bissau e, quando o ex-presidente João Bernardo “Nino” Vieira foi afastado pelos militares, foi Bacai Sanhá que ocupou o cargo, como presidente interino, entre Maio de 99 e Fevereiro de 2000.

Vitória

Nas presidenciais que se seguiram candidata-se, mas não consegue a vitória, concedida a Kumba Ialá.

Cinco anos depois, Bacai Sanhá volta a candidatar-se, e volta a perder. João Bernardo “Nino” Vieira, que havia retornardo à Guiné, bate Sanhá na votação. Mas o candidato não se dobra. E à terceira vez, finalmente, consegue o cargo, onde viria a ficar apenas dois anos, até à sua morte nesta segunda-feira, em Paris.

Quem conheceu Bacai Sanhá, dentro e fora da política, afirma que foi um  homem modesto, conciliador, e que sempre tentava evitar conflitos.

Características que, segundo analistas, irão fazer falta no país que se tenta reerguer de uma série de tentativas de golpe de Estado para se afirmar como um Estado democrático e livre.

 

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