Exclusiva: Patrick Kennedy
BR

28 dezembro 2011

Ex-deputado dos Estados Unidos fala à Rádio ONU sobre o projeto “One Mind for Research” ou “Uma Mente para a Pesquisa”, numa tradução livre. Kennedy está reunindo cientistas e organizações internacionais para um grande desafio da neurociência: encontrar a cura de doenças como Mal de  Alzheimer, autismo, zumbido, depressão e Mal de Parkinson, entre outras.

Aos céticos, ele responde, dizendo que é um desafio que está lançando não só aos Estados Unidos, mas aos demais países. E compara a empreitada com a decisão de seu tio, o ex-presidente americano, John Kennedy, de levar um homem à Lua. “No fim, ele conseguiu, ainda que fosse difícil”, contou.

Patrick Kennedy informou que está mantendo contatos com agências das Nações Unidas como a Organização Mundial da Saúde, OMS, para conseguir apoio para o projeto, que já tem adesões de cientistas em Harvard. Em 2012, Kennedy atenderá um convite do  Fórum de Davos para apresentar a proposta aos participantes do evento.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.*

O Dia Mundial da Saúde Mental deste ano, marcado em 10 de outubro, foi comemorado com um pedido para mais investimentos em programas de prevenção e tratamento.

Segundo a própria OMS, o orçamento para a saúde mental ainda é pequeno, se comparado ao que os países gastam com saúde em geral.

“One Mind for Research”

Mas qual seria o motivo desta falta de investimentos? Para responder a esta e outras perguntas sobre o tema, a Rádio ONU conversou com o ex-deputado americano, do Partido Democrata, Patrick Kennedy.

Desde que deixou a política, no ano passado, Kennedy tem se dedicado a juntar cientistas, organizações internacionais e especialistas, em todo o mundo, no projeto “One Mind for Research”, ou “Uma Mente para a Pesquisa”, numa tradução livre. Nesta entrevista exclusiva à Rádio ONU, Patrick Kennedy explicou a proposta.

Kennedy contou que o desafio da nossa época é como trabalhar juntos na direção de avançar os esforços de todos. Segundo a visão do ex-deputado, cientistas que estão pesquisando o Mal de Alzheimer vão aprender com os que estão estudando o Mal de Parkinson e o autismo. Esses, por sua vez, vão saber mais ao se juntar a pesquisadores de depressão. Patrick Kennedy lembrou que tudo está no cérebro. Ele afirmou ainda que apesar de ser uma situação difícil, não é impossível de se alcançar. E lembrou o que o próprio tio, o ex-presidente americano, John Kennedy, fez para colocar um homem na Lua.

Um Homem na Lua

Patrick Kennedy contou que, há 50 anos, o tio John Kennedy, lançou um desafio aos Estados Unidos para ser a primeira nação a levar o homem à Lua. Patrick lembrou que muitos, naquela época, também foram céticos sobre o objetivo, mas que no fim, o alvo foi atingido. Ele disse que usa esta metáfora para explicar sua visão para o projeto de pesquisa e cura de doenças mentais. Patrick Kennedy disse que é um assunto da neurociência que precisa da união entre cientistas e organizações de todas as partes do mundo.

Segundo o ex-deputado, muitos cientistas, ao redor do mundo, estão realizando pesquisas valiosas, mas eles estão separados em seus laboratórios. Para Patrick Kennedy, a proposta de “Uma Mente para a Pesquisa” é uma tarefa que tem que envolver todos.

Patrick Kennedy informou que ainda que os Estados Unidos tenham uma posição de liderança em pesquisa médica, o país não pode realizar o projeto sozinho. Ele afirmou que muitos países têm sistemas nacionais de saúde, o que os americanos não têm. Segundo Kennedy, a proposta é humanitária acima de tudo por tentar salvar as pessoas que sofrem com desordens mentais através da pesquisa e cura para as doenças do cérebro.

Direitos Humanos

Em 2012, a equipe científica do projeto irá ao Fórum de Davos, a convite dos organizadores, para apresentar o programa aos participantes.

Patrick Kennedy, sobrinho do ex-presidente John Kennedy e do ex-senador Bob Kennedy, cresceu com o pai, o também ex-senador Ted Kennedy advogando por um sistema público de saúde nos Estados Unidos.

Ao lembrar a agenda política do pai, Patrick disse que o direito à saúde é acima de tudo uma questão de direitos humanos.

O ex-deputado americano afirmou que a saúde mental é algo que é marginalizado e que sofre discriminação. Ele contou que em muitos lugares do mundo, doentes mentais são discriminados, isolados, condenados e ofuscados. Para ele, o projeto “Uma Mente para a Pesquisa” busca incluir estas pessoas dizendo que a doença mental é uma doença física como diabetes, enfermidades coronárias e que devem ser tratadas como tal.

Autobiografia

Pouco antes de iniciar o projeto, Patrick Kennedy lançou uma autobiografia na qual explicava sua luta com as drogas e com a depressão. Eu perguntei ao ex-deputado se dar este passo, de forma pública, foi algo difícil de fazer. Ao que ele respondeu:

“É muito difícil tomar uma atitude como esta, porque estigma significa discriminação contra as pessoas que têm uma doença mental. Ninguém quer dizer que sofre de uma doença mental. Não interessa que tipo de doença. Seja ela cognitiva, emocional, mas todas elas são baseadas no cérebro. E é um órgão que precisa ser tratado como qualquer outra parte do corpo.”

Kennedy terminou a entrevista elogiando o trabalho do Brasil e Portugal na área de saúde mental. E pediu a ajuda da comunidade luso-americana nos Estados Unidos para o projeto.

Brasil e Portugal

O ex-deputado mencionou a fase histórica das Descobertas do novo mundo por Portugal dizendo que desta vez o país, ao lado das demais nações de língua portuguesa, pode ajudá-lo a descobrir o mundo da neurociência.

E por último, Patrick Kennedy falou sobre sua visita a neurocientistas no Brasil.

Kennedy contou sobre sua viagem, ocorrida há alguns meses, e das perspectivas do país, com o crescimento da economia. Ele falou sobre o Sistema Nacional de Saúde brasileiro e disse que os médicos do país tratam do doente de forma conjunta sem separar os problemas da mente e do corpo.

Como ex-deputado pelo estado de Rhode Island, que concentra uma grande comunidade lusófona, Patrick Kennedy conhece bem a realidade de migrantes que falam português nos Estados Unidos, e ao terminar a entrevista arriscou algumas palavras no idioma de Camões.

*Fotos: arquivo pessoal, Patrick Kennedy.

 

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