Onusida em Moçambique sugere prioridades para 2012

20 dezembro 2011

Novo coordenador do Programa Conjunto sobre HIV/Sida, Onusida, em Moçambique, fala à Rádio ONU sobre seus planos no cargo.

[caption id="attachment_209095" align="alignleft" width="300" caption="Foto: Onusida Moçambique"]

Miguel Amâncio, de Maputo para a Rádio ONU.

Ajudar Moçambique a encontrar soluções locais e sustentáveis para enfrentar a epidemia de HIV/Sida.” Este  é o principal compromisso do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Sida para 2012.

A informação foi dada pelo novo coordenador do Programa em Moçambique, Raul de Melo Cabral.

Zero

Nesta entrevista à Rádio ONU, de Maputo, ele afirmou que o compromisso está alinhado às prioridades da organização para o alcance da visão “zero infecção, zero discriminação e zero morte”.

Para materializar a intenção, Melo Cabral disse que o Onusida ajudará o Governo a trabalhar em intervenções oportunas e baseadas na evidência.

“Claramente, a circuncisão masculina é algo que funciona, portanto, temos que apostar nisso. O uso de preservativo é algo que funciona. É necessário que apostemos nisso. A prevenção da transmissão vertical, ou seja, a transmissão da mãe para o filho ao nascer, é algo que funciona. Temos que apostar nisso também. São todos esses aspectos que são efectivos fazem com que a nossa ação tenha que ser direcionada, focalizada. Tem que com base em evidência.”

Números em Moçambique

Com 23 milhões de habitantes, Moçambique tem uma seroprevalência de 11,5 por cento,  mas apresenta diferenças regionais e etárias. No sul, onde fica a capital Maputo, as taxas atingem cerca de 20 por cento e entre os jovens urbanos dos 15 aos 24 anos, as raparigas são três vezes mais infectadas que os rapazes.

Na opinião de especialistas, mesmo assim os números revelam uma melhoria da resposta nacional, que ainda depende do financiamento externo em mais de 95 por cento. O investimento público é de três por cento e o do sector privado apenas um por cento.

Face ao cenário e para garantir a desejada apropriação da resposta nacional, Melo Cabral promete que o Onusida vai ajudar o governo a buscar fundos localmente para combater a pandemia:

Governo

“De facto, há a possibilidade. E nós temos que apostar nessa possibilidade de ajudar o governo. E conjuntamente, com o governo, sermos capazes de levantar fundos a nível local. Isso é que de fato, ao longo do tempo, sobretudo nesta crise que nós estamos a atravessar, vai dar garantias de continuidade.”

Nos últimos 10 anos, Moçambique registou uma redução de infecções em 25 por cento e mais de 200 mil pessoas vivendo com HIV estão em tratamento. Para manter o ritmo, diz Melo Cabral, a prevenção é crucial.

“A bem da verdade, nós temos um didato em português – e creio que talvez exista em outras línguas -  que diz: ‘prevenir é melhor do que remediar’ Eu me lembro que o meu pai sempre dizia: ‘mais vale prevenir do que remediar’. E eu creio que esse vai ser o foco em 2012 – prevenção, prevenção, prevenção  - vamos ter que prevenir.”

Diplomata de carreira, o guineense Raul de Melo Cabral, é coordenador do Onusida em Moçambique, desde Novembro deste ano. Ele substituiu o brasileiro Mauricio Cysne.

 

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