Assassinato de juíza Patricia Acioli é lembrado em evento da ONU no Rio
BR

12 dezembro 2011

Em seminário sobre desarmamento, um dos palestrantes disse que a identificação da principal arma do crime foi resultado de mecanismo previsto em resolução das Nações Unidas sobre rastreamento; alto representante alertou sobre “pandemia da violência armada no mundo.”

[caption id="attachment_208761" align="alignleft" width="350" caption="Sérgio Duarte na abertura do evento"]

Felipe Siston , do Rio de Janeiro para a Rádio ONU.*.

Os crimes com arma de fogo matam cerca de 85 pessoas, por dia, no Brasil. Em todo o mundo, o número chega a 526 mil vítimas fatais por ano.

O dado foi apresentado durante a abertura do seminário das Nações Unidas “Desarmamento, Controle de Armas e Prevenção à Violência,” realizado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Alerj, nesta segunda-feira.

Direitos Humanos

O evento, que contou com a presença do alto representante da ONU para o Desarmamento, Sérgio Duarte, foi parte das comemorações do Dia dos Direitos Humanos, marcado no sábado, 10 de dezembro.

Um dos palestrantes, o representante da ONG Viva Rio, Antônio Rangel Bandeira, lembrou o caso do assassinato da juíza Patrícia Acioli. E disse que o problema não é falta de lei, mas aplicação da mesma.

“Dizem que a nossa lei é muito rigorosa. É no papel. Hoje é tão fácil comprar armas no Rio de Janeiro como o é em Miami. O que nós precisamos de fato é aplicar a lei. A lei existe, é boa, o Estatuto de Desarmamento está sendo copiado por mais de oito países no mundo, como um dos tratados mais avançados do mundo. Mas é aquela história: Brasil real, Brasil legal. Parece que um não tem nada a ver com o outro.”

Antônio contou que o assassinato da juíza foi elucidado com a ajuda de um dos mecanismos da resolução da ONU sobre rastreamento de armas, adotada em 2001. Graças às marcas deixadas nas cápsulas das balas usadas no crime, foi possível localizar o responsável pela compra da munição.

Ao assumir a palavra, ao alto representante da ONU para o Desarmamento, Sérgio Duarte, alertou sobre o que chamou de uma “pandemia de violência armada no mundo”.

“Está se negociando, espera-se em junho do ano que vem uma grande conferência internacional sobre o comércio de armas em que se procurariam parâmetros internacionais que venham a disciplinar o comércio de armamentos. Como é que os fornecedores poderiam de alguma forma controlar o fluxo das armas e como é que cada país podia, dentro de suas fronteiras, controlar como se faz o comércio de armamentos para evitar o desvio clandestino”, dissse.

O representante da ONU no Brasil, Jorge Chediek, disse que o seminário foi idealizado após a tragédia na escola do bairro carioca de Realengo, no início deste ano, quando um ex-estudante matou 12 crianças com uma arma de fogo.

“Sociedades que têm uma condição de violência, têm um problema que realmente afeta o desenvolvimento, em termos de afetar o crescimento econômico, os serviços sociais e, além disso, a violência é um problema em si mesmo. É importante, tanto para resolver o problema de um direito muito básico, como é o direito a vida, como também para permitir os outros direitos, os direitos econômicos e sociais se desenvolverem plenamente”, afirmou.

As Nações Unidas atuam com o treinamento de pessoal e na destruição de armas pequenas, além de propiciar tratados multilaterais e normas.

Em 2010, segundo o alto representante Sérgio Duarte, as despesas dos países com armas foi de US$ 1,5 trilhão de dólares, equivalentes a mais de R$ 2,5 trilhões.

*Foto: Pieter Zalis, Unic-Rio.

 

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