ONU: investigação aponta para violações de direitos humanos na Síria
BR

28 novembro 2011

Relatores da Comissão de Inquérito, do Conselho de Direitos Humanos, ouviram 223 vítimas e testemunhas incluindo civis e desertores do Exército; grupo fez o trabalho em países vizinhos após autoridades sírias negarem visto de entrada.

[caption id="attachment_204620" align="alignleft" width="350" caption="Paulo Sérgio Pinheiro "]

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

A Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Síria apresentou, nesta segunda-feira, um relatório sobre alegações de violações dos direitos humanos. De acordo com o grupo, há indicações de graves violações e abusos no país árabe, incluindo a morte de crianças.

O documento, encomendado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, foi compilado sob a liderança do relator-chefe, o professor brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, a partir de países vizinhos. A Síria negou a entrada do grupo no país. Segundo o governo sírio, a comissão era “tendenciosa e 100% política”.

Entrada

De acordo com o grupo, as evidências indicam que os direitos humanos foram “gravemente” violados por forças de segurança na Síria ao reprimir os protestos pró-democracia, que começaram em março no país.

Nesta entrevista à Rádio ONU, de Genebra, Paulo Sérgio Pinheiro falou sobre os tipos de violações relatadas.

“Temos muitíssimos casos de detenção arbitrária, de tortura e violência sexual contra homens e mulheres. Várias violações contra crianças, torturadas e algmas delas mortas. Também verificamos tomadas de reféns de famílias inteiras quando alguém procurado pelas forças de segurança não estava na sua casa”.

Além de Paulo Sérgio Pinheiro, participaram do inquérito Yakin Ertürk e Karen Koning AbuZayd. Eles ouviram 223 testemunhas e vítimas de alegações de abusos, entre elas civis e desertores do Exército do país.

Diálogo

O relatório documenta padrões de execução sumária, prisão arbitrária, desaparecimentos forçados incluindo violência sexual e violações ao direito das crianças.

De acordo com a Comissão, os crimes teriam sido cometidos em diferentes partes da Síria. O grupo pediu ao governo sírio que acabe com as violações, e que inicie uma investigação independente e imparcial.

A Comissão lamentou o fato de o governo não ter participado do diálogo e ter negado acesso aos relatores.

 

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