Remessas de diáspora contribuem para estabilidade económica de vários países

17 novembro 2011

Reunião na sede do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Fida, pretende mostrar que emigrantes não são grupo vulnerável, mas sim agentes de mudança.

[caption id="attachment_207717" align="alignleft" width="350" caption="Investimento da Diáspora na Agricultura"]

Susete Sampaio, da Rádio ONU em Lyon.

O Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Fida, sugeriu que a imagem dos emigrantes pode ter mudado nos últimos anos.

Nesta quinta-feira, durante a Reunião Anual do Mecanismo de Financiamento de Remessas do Fida, os parceiros dos setores público, privado e da sociedade civil juntaram-se em Roma para incentivar os emigrantes a maximizar os benefícios das quantias que enviam aos países de origem.

Remessas

O evento juntou representantes de governos, instituições de micro-finança, bancos e empresas de câmbio monetário. Em cima da mesa estiveram temas como as iniciativas do setor público-privado, a modernização das redes postais e os apoios financeiros rurais.

As remessas dos emigrantes são essenciais para os países em desenvolvimento, numa altura em que 215 milhões de pessoas vivem fora do seu país.

Só neste ano, os emigrantes pouparam US$400 mil milhões e conseguiram enviar outros $350 mil milhões em remessas às suas famílias, de acordo com a Organização Internacional para Migrações, OIM.

Agricultura

O Fundo, que vê os emigrantes como importantes agentes da mudança dos países de origem, dedica-lhes a Iniciativa ‘Investimento da Diáspora na Agricultura’.

Lançada no início deste ano, a iniciativa aposta num investimento agrícola sustentável de forma a melhorar a segurança da alimentação local, a criar oportunidades para ajudar os trabalhadores migrantes a investir nos países e comunidades de origem.

Países Lusófonos

O Relatório de Migrações e Remessas de 2011 do Banco Mundial aponta os países remetentes e destinatários das remessas.

Em 2009, Guiné-Bissau estava no top 10 dos países com maior percentagem do PIB em envio de remessas (5,4%), a lista era liderada pelo Luxemburgo, país com uma grande comunidade portuguesa.

Quanto ao critério de valores, o Brasil fazia parte dos 10 mais, tendo enviado US$ 1 mil milhão de dólares.

Em 2009 o top 10 de remessas recebidas contava com países lusófonos. As remessas contribuíram para 9,1% do PIB Nacional, tanto em Cabo Verde como na Guiné-Bissau.

Remessas

Já em 2010, Cabo Verde recebeu US$ 144 milhões em remessas. Em entrevista à Rádio ONU em Washington, a Assistente de Projetos do Banco Mundial, Glaucia Ferreira, falou da situação das remessas de caboverdianos.

“Agora com essa queda da economia, isso vai ser reduzido em grandes termos. E se 8% do PIB são remessas, isso reflete muito na economia do país. A previsão é que vai haver uma redução considerável deste PIB que a gente tem tido até hoje, mas vai haver uma queda”, disse.

No mesmo ano, o Brasil recebeu US$ 4,2 mil milhões de remessas. A Guiné-Bissau recebeu US$ 27 milhões. O valor de US$ 117 milhões em remessas coube a Moçambique. São Tomé e Príncipe recebeu US$ 2 milhões e Portugal US$ 3,6 mil milhões.

Já os dados de Angola, que são de 2008, sugerem que o país recebeu de angolanos que vivem no exterior US$ 82 milhões.

 

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