Refugiados na República Centro-Africana vivem na pobreza, diz Acnur

16 novembro 2011

Cessar-fogo de junho permitiu que deslocados internos tenham acesso a ajuda humanitária; miséria, casamentos precoces em troca de víveres e trabalho infantil caraterizam o grupo de deslocados numa zona do país.

[caption id="attachment_207662" align="alignleft" width="350" caption="Fome e miséria"]

Susete Sampaio, da Rádio ONU em Lyon.

Um ambiente de miséria, uma taxa elevada de casamentos precoces de crianças ou jovens e a exploração de trabalho infantil fazem parte do dia-a-dia de um grande número de civis da República Centro-Africana.

Deslocados perto da cidade Ndélé, no norte do país, os civis foram objeto de um estudo conjunto do Conselho dinamarquês para os Refugiados e do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, apresentado nesta terça-feira em Genebra.

Precaridade

O estudo que foi feito entre os meses de maio e setembro deste ano, será alargado a mais aldeias da região.

Foi avaliada uma amostra de 300 famílias para um total de 17 mil pessoas naquela zona. Como conclusão, estima-se que 1 família sobre 5 perdeu pelo menos 1 parente durante o primeiro semestre do ano devido à insegurança no terreno, à falta de serviços de saúde e de alimentos.

Das crianças com idades entre 6 e 15 anos, 32,5% já trabalham, segundo o porta-voz do Acnur, Andrej Mahecic.

Troca de Abrigo

Estima-se que 30% das adolescentes com idades entre 12 a 17 anos, foram vendidas para casamento. Segundo informações dadas pelas famílias ao Acnur, muitas jovens terão sido vendidas nas comunidades onde estão deslocadas para trabalharem na agricultura e na pesca, em troca de abrigo, dinheiro ou comida.

No entanto, o Acnur registou casos de violações coletivas por parte de grupos armados.

A assinatura em junho deste ano de um cessar-fogo entre os rebeldes da Convenção dos Patriotas para a Justiça e a Paz e o governo centro-africano, permitiu aos deslocados receber ajuda humanitária.

Segurança

Neste momento, o Acnur «  espera que uma melhoria da situação de segurança permita reforçar a sua presença na região para responder as necessidades das populações deslocadas ao nível da proteção e da assistência”, de acordo com Mahecic.

A assistência humanitária do Acnur no país beneficia 176 mil deslocados internos e cerca de 20 mil refugiados, na sua maioria originários da República Democrática do Congo, RD Congo e da região que fica entre o Darfur e o Sudão.

 

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