Obituário: Muammar Kadafi
BR

20 outubro 2011

Ascensão, prestígio e queda marcaram a trajetória do coronel africano que derrubou a monarquia e instaurou a “jamahiriya” ao assumir o poder na Líbia em 1969.

Eleutério Guevane da Rádio ONU em Nova York.*.

Muammar Abu Minyar al-Kadafi nasceu na cidade de Sirta, no norte da Líbia, em 1942. Militar de carreira, ele chegou ao poder com apenas 27 anos por um golpe que derrubou o rei Idris al-Sanusi, conhecido como Idris I da Líbia.

Ao assumir o governo, Kadafi trocou a monarquia pela “jamahiriya”. O termo, cunhado pelo então capitão Kadafi, significa “Estado de massas.”

Democracia

Mas a sua filosofia política parecia estar só se firmando. Em meados da década de 70, Kadafi decidiu publicar o chamado “Livro Verde”, editado em dois volumes. Na obra, ele tratou dos problemas da democracia, e no segundo sobre o que pensava da economia.

Admirador do ex-presidente egípcio, Gamal Abdel Nasser, Kadafi também passou a investir em boas relações com os países africanos e os líderes da região.

Alguns historiadores dizem que, na sua infância, ele conviveu muito tempo com beduínos e que se sentia atraído pela forma de vida deste grupo. Uma de suas características era levar, aonde ia, uma tenda para que pudesse se instalar, deixando de lado os hoteis.

Bombardeios

A tenda também era usada em casa, e foi o local onde recebeu muitos chefes de Estado e governo.

Na segunda metade dos anos 80, a Líbia de Kadafi foi alvo de bombardeios dos Estados Unidos em resposta a um suposto envolvimento do país africano em ataques terroristas na Europa. Dois anos depois, no Natal de 1988, a explosão do voo 103 sobre a cidade escocesa de Lockerbie, matando todos a bordo, criou um longo período de tensão entre a Líbia e vários países ocidentais, ao surgir a hipótese de que a Líbia ou líbios tivessem por trás do ataque.

A entrega de dois suspeitos do atentado à Justiça só ocorreu em 1999. Um deles foi condenado e preso, e anos depois libertado, por questões de saúde.

Assembleia Geral

Anos mais tarde, em 2003, o coronel líbio renunciou ao programa de armas nucleares e químicas, melhorando assim as relações com o Ocidente.

Em 2009, Kadafi compareceu aos debates da Assembleia Geral da ONU num discurso que chamou a atenção do mundo pelo conteúdo e pelo tamanho. Em vez de se limitar ao tempo de 15 minutos concedidos para cada estadista, ele falou por mais de uma hora e meia. Na ocasião, ele rasgou uma cópia da carta das Nações Unidas, na tribuna, em sinal de protesto.

Na mesma época, o líder africano fez manchetes nos Estados Unidos, ao tentar instalar sua tenda nos jardins de uma propriedade que tinha alugado, no interior de Nova York. Os vizinhos reclamaram e Kadafi teve que desistir da ideia.

Revolução Popular

O início do processo que levou ao ocaso do ex-capitão do exército, que chegou ao poder para fundar o Estado de Massas, ou a “jamahiriya” acabou ocorrendo, justamente, através de uma revolução popular.

Em fevereiro, e após 42 anos no cargo, o regime de Muammar Kadafi começou a ser rejeitado por grande parte do povo líbio que aderiu ao movimento da chamada “primavera árabe”, que tirou do poder dirigentes de décadas na Tunísia e no Egito.

A reprovação atravessou as fronteiras da Líbia e foi parar no Conselho de Segurança, que condenou a forma violenta como os manifestantes foram reprimidos.

O anúncio da morte do líder arábe, nesta quinta-feira, encerra o legado de mais de quatro décadas do regime Kadafi no país do norte-africano.

*Apresentação: Mônica Villela Grayley.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud