Mercado interno vai definir crescimento de países emergentes

9 setembro 2011

Relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, aponta fluxo de capital dos países ricos para ser investido nos países com crescimento económico e altas taxas de juros

[caption id="attachment_204373" align="alignleft" width="350" caption="Crescimento de países emergentes depende da economia interna "]

Victor Boyadjian, Da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O cenário económico actual ainda é favorável para as nações emergentes, que devem continuar a crescer graças ao próprio mercado interno, aponta um estudo recente da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad.

Por outro lado, a dificuldade dos países ricos em superarem a retracção económica pode ser danosa aos emergentes. O relatório cita o fluxo de capital, que sai dos países ricos pelo temor de recessão para ser investido nos países em que há crescimento económico e altas taxas de juros.

Países em Desenvolvimento

Este movimento deve pressionar a taxa de câmbio, prejudicando as exportações dos países em desenvolvimento.

Apesar de continuarem a promover o crescimento, países emergentes correm risco de serem afectados pela desaceleração da recuperação económica dos países ricos.

Mercado Interno

Em entrevista à Rádio ONU da cidade brasileira de São Paulo, o antigo secretário-geral da Unctad, Rubens Ricúpero, disse que o continente africano foi beneficiado pelo movimento dos emergentes.

“África tem tido, nos últimos anos, alguns dos melhores resultados que teve em muito tempo. Porque os preços das commodities dos produtos primários tem se beneficiado muito da demanda, sobretudo chinesa, mas da Ásia em geral”, disse.

O documento da Unctad ainda constata que o aumento da dívida pública tem deixado vários países desenvolvidos à beira da recessão, especialmente na Zona do Euro, como é o caso de Portugal e da Grécia.

A previsão feita pelo relatório da Unctad é a de que até o final deste ano o menor crescimento económico dos países em desenvolvimento será apenas em parte relacionado com a retracção das nações ricas.

De acordo com o documento, os índices de crescimento em 2011 ainda serão uma acomodação da recuperação acima da média em 2010.

 

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