ONU: recuperação econômica desacelera e cria desafios para emergentes
BR

9 setembro 2011

Países como o Brasil enfrentam aumento da entrada de capital estrangeiro, o que valoriza as moedas locais, prejudicando exportações; relatório foi divulgado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad

Victor Boyadjian, Da Rádio ONU em Nova York.*

Apesar de continuarem promovendo crescimento, países emergentes, como o Brasil, correm risco de serem afetados pela desaceleração da recuperação econômica dos países ricos.

O alerta foi feito pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, Unctad, num relatório, divulgado no início desta semana.

Mercado Interno

O documento constata que o cenário econômico atual ainda é favorável para as nações emergentes, que devem continuar crescendo graças ao próprio mercado interno.

Por outro lado, a dificuldade dos países ricos em superarem a retração econômica pode ser danosa aos emergentes. O relatório cita fluxo de capital, que sai dos países ricos pelo temor de recessão para ser investido nos países em que há crescimento econômico e altas taxas de juros.

Este movimento pressionaria a taxa de câmbio, prejudicando as exportações dos países em desenvolvimento.

Taxa de Juros

Segundo o relatório, a necessidade da alta taxa de juros no Brasil é questionada, analisando que o déficit fiscal é consequência dos juros elevados e não sua causa.

O ex-secretário-geral da Unctad, Rubens Ricúpero, explica que a dificuldade em reduzir os juros, no Brasil, se dá pela pressão inflacionária.

“A média do que o Brasil tem pago com juros é muito alta. É uma quantia que equivale em cada ano a mais de 7% do PIB. A dificuldade é que, no momento atual, a economia Brasileira, da mesma forma que outros países emergentes, está enfrentando uma pressão de aumento de preços”, explicou.

Na opinião de Ricúpero, a alta dos preços também afeta positivamente países produtores de matéria-prima.

Dívida Pública

Ele avalia que o continente africano foi beneficiado pelo movimento dos emergentes.

“A África tem tido, nos últimos anos, alguns dos melhores resultados que teve em muito tempo. Porque os preços das commodities dos produtos primários tem se beneficiado muito da demanda, sobretudo chinesa, mas da Ásia em geral.”, disse.

O documento da Unctad ainda constata que o aumento da dívida pública tem deixado vários países desenvolvidos à beira da recessão, especialmente na Zona do Euro, como é o caso de Portugal e da Grécia. Estas nações tiveram que elevar os custos de rolagem das dívidas.

A previsão feita pelo relatório da Unctad é a de que até o final deste ano o menor crescimento econômico dos países em desenvolvimento será apenas em parte relacionado com a retração das nações ricas.

De acordo com o relatorio, os índices de crescimento em 2011 ainda serão uma acomodação da recuperação acima da média em 2010.

 

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