Angola enviou pelo menos 5 milhões de escravos ao mundo

23 agosto 2011

Por ocasião do Dia Internacional da Memória do Comércio de Escravos e sua Abolição, director do Museu Nacional de Escravatura de Angola defende que herança do tráfico foi a construção de um novo mundo.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Mais de 5 milhões de escravos foram traficados a partir de Angola, referiu o director do Museu Nacional de Escravatura de Angola, João Lourenço.

Falando à Rádio ONU, por ocasião do Dia Internacional da Memória do Comércio de Escravos e sua Abolição, assinalado a 23 de Agosto, o director disse haver necessidade de lembrar que o fenómeno foi real.

Tráfico

“Só a título de exemplo, entre 1810 e 1930, iam anualmente de Angola para o Brasil cerca de 10 mil escravos. Durante 20 anos, numa época em que muitos países já estavam a lutar contra o tráfico de escravos. E os números vão crescendo até 1850, altura em que o Brasil adopta a Lei Eusébio de Queirós, que proibiu a entrada de escravos no país. Portanto, vamos rondar entre os 5 e 10 milhões, que são os números agora manejados pelos investigadores.”

Em Angola, estudantes e peritos internacionais discutem o Comércio Transatlântico de Escravos numa conferência a ter lugar na Universidade Agostinho Neto, em Luanda.

Projecto Intercultural

A Unesco apoia a actividade como parte do projecto intercultural “A Rota do Escravo”. A intenção é reflectir sobre causas históricas, consequências e as particularidades do comércio, além de analisar como foram geradas interacções entre África, Europa, Américas e Caraíbas.

De acordo com Lourenço, o dia deve servir para realçar igualmente a herança demográfica, cultural e ideológica do continente.

Herança

“É importante que se perceba que, apesar de terem sido violentadas, as pessoas foram levadas para o outro lado. Portanto, a herança do tráfico de escravos não é só a violência, as pessoas sobreviveram a ela ajudando a construir um novo mundo”, lembrou.

Até Setembro de 2011, a ONU celebra o Ano Internacional dos Afrodescendentes, proclamado pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

Racismo

O ano de 2011 marca igualmente o 10º aniversário da Declaração contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância, adoptada em 2001, na cidade sul-africana de Durban.

Estima-se que mais de 12,5 milhões de africanos foram deportados para as Américas e Caraíbas para trabalharem como escravos. A Unesco defende que as consequências do tráfico permanecem nas sociedades modernas.

 

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