Nova campanha defende direitos das mulheres do Brasil

8 agosto 2011

Maria da Penha aparece em um dos três vídeos para defender o fim da violência e o promover a igualdade de gênero; fatores condicionam vulnerabilidade e contaminhação pelo vírus da AIDS.

[caption id="attachment_202789" align="alignleft" width="300" caption="Campanha defende denúncia ao agressor"]

Damaris Giuliana, do Rio de Janeiro para a Rádio ONU.*

As Nações Unidas, o Instituto Maria da Penha e entidades parceiras criaram três anúncios de vídeo voltados para homens e mulheres em situação de violência e populações do Norte e Nordeste. “Mulheres e Direitos” é a campanha lançada na última sexta no Rio de Janeiro, que advoga o fim da violência e defende a promoção da igualdade de gênero.

O Coordenador do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS no Brasil, Pedro Chequer, explica por que foi desenvolvida uma peça regional.

Precariedade

“A campanha foi construída a partir de uma observação na região norte do país, onde a ONU tem um plano integrado de ação na área de Aids. Nós observamos a precariedade ou quase inexistência de equipamentos públicos ou políticas públicas sendo implementadas em municípios, no estado do Amazonas, por exemplo ou na Bahia, voltadas para a proteção da mulher e redução da inequidade. E muitas vezes, a violência contra a mulher é vista culturalmente como algo aceitável, sem qualquer consideração como sendo alguma coisa aberrante ou adversa”, explicou.

Segundo Chequer, a violência contra a mulher e a inequidade de gênero são fatores que aumentam a vulnerabilidade e, consequentemente, a contaminhação pelo vírus da AIDS. Em alguns países da África, as mulheres já representam dois terços da população com HIV. No Brasil, o número de jovens do sexo feminino contaminadas também já superou o de homens da mesma idade.

Maria da Penha

A biofarmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes foi agredida pelo ex-marido durante seis anos. Paraplégica depois de uma tentativa de assassinato, ela denunciou o agressor e procurou a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos. Cinco anos depois da criação da Lei 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha em homenagem à sua luta, ela participa da campanha.

“Todos nós conhecemos alguém na nossa família, um parente próximo ou um vizinho, que sofre violência doméstica e não tem coragem de denunciar. Porque a informação ainda não chegou naquela pessoa. A mídia é muito importante nessa informação. Mas não só a mídia. A questão da educação (também é importante), é preciso trabalhar o assunto nas escolas, para que desde a mais tenra idade, a criança saiba identificar ”, disse.

Desafios

Para a Ministra-Chefe da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes, o Brasil avançou no combate à violência com a condenação de mais de 100 mil agressores e 1,5 mil prisões em flagrante desde 2006. Mas ainda há muitos desafios.

“Os governos estaduais, junto com o governo federal, precisa ampliar o número de núcleos de atendimento. O número de delegacias especializadas precisa crescer, não só em quantidade, mas a capacitação do atendimento à mulher agredida. Porque ás vezes ela é agredida em casa e é agredida verbalmente ou moralmente na delegacia; ampliação das casas de abrigo, ocupação de postos de trabalho e igualdade no mundo de trabalho para que ela tenha um empoderamento econômico e financeiro e não dependa do seu agressor”, defendeu.

Uma pesquisa aponta que 94% da população brasileira conhece a Lei Maria da Penha, mas não sabe como buscar seus direitos. Uma das formas é pelo Disque 180, que funciona 24 horas por dia,  incluindo feriados, e atende a todo o país gratuitamente.

*Reportagem: Unic-Rio.

*Apresentação: Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Confira um dos vídeos:

 

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