Perspectiva Global Reportagens Humanas

Nova campanha defende direitos das mulheres do Brasil

Nova campanha defende direitos das mulheres do Brasil

Maria da Penha aparece em um dos três vídeos para defender o fim da violência e o promover a igualdade de gênero; fatores condicionam vulnerabilidade e contaminhação pelo vírus da AIDS.

[caption id="attachment_202789" align="alignleft" width="300" caption="Campanha defende denúncia ao agressor"]

Damaris Giuliana, do Rio de Janeiro para a Rádio ONU.*

As Nações Unidas, o Instituto Maria da Penha e entidades parceiras criaram três anúncios de vídeo voltados para homens e mulheres em situação de violência e populações do Norte e Nordeste. “Mulheres e Direitos” é a campanha lançada na última sexta no Rio de Janeiro, que advoga o fim da violência e defende a promoção da igualdade de gênero.

O Coordenador do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS no Brasil, Pedro Chequer, explica por que foi desenvolvida uma peça regional.

Precariedade

“A campanha foi construída a partir de uma observação na região norte do país, onde a ONU tem um plano integrado de ação na área de Aids. Nós observamos a precariedade ou quase inexistência de equipamentos públicos ou políticas públicas sendo implementadas em municípios, no estado do Amazonas, por exemplo ou na Bahia, voltadas para a proteção da mulher e redução da inequidade. E muitas vezes, a violência contra a mulher é vista culturalmente como algo aceitável, sem qualquer consideração como sendo alguma coisa aberrante ou adversa”, explicou.

Segundo Chequer, a violência contra a mulher e a inequidade de gênero são fatores que aumentam a vulnerabilidade e, consequentemente, a contaminhação pelo vírus da AIDS. Em alguns países da África, as mulheres já representam dois terços da população com HIV. No Brasil, o número de jovens do sexo feminino contaminadas também já superou o de homens da mesma idade.

Maria da Penha

A biofarmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes foi agredida pelo ex-marido durante seis anos. Paraplégica depois de uma tentativa de assassinato, ela denunciou o agressor e procurou a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos. Cinco anos depois da criação da Lei 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha em homenagem à sua luta, ela participa da campanha.

“Todos nós conhecemos alguém na nossa família, um parente próximo ou um vizinho, que sofre violência doméstica e não tem coragem de denunciar. Porque a informação ainda não chegou naquela pessoa. A mídia é muito importante nessa informação. Mas não só a mídia. A questão da educação (também é importante), é preciso trabalhar o assunto nas escolas, para que desde a mais tenra idade, a criança saiba identificar ”, disse.

Desafios

Para a Ministra-Chefe da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes, o Brasil avançou no combate à violência com a condenação de mais de 100 mil agressores e 1,5 mil prisões em flagrante desde 2006. Mas ainda há muitos desafios.

“Os governos estaduais, junto com o governo federal, precisa ampliar o número de núcleos de atendimento. O número de delegacias especializadas precisa crescer, não só em quantidade, mas a capacitação do atendimento à mulher agredida. Porque ás vezes ela é agredida em casa e é agredida verbalmente ou moralmente na delegacia; ampliação das casas de abrigo, ocupação de postos de trabalho e igualdade no mundo de trabalho para que ela tenha um empoderamento econômico e financeiro e não dependa do seu agressor”, defendeu.

Uma pesquisa aponta que 94% da população brasileira conhece a Lei Maria da Penha, mas não sabe como buscar seus direitos. Uma das formas é pelo Disque 180, que funciona 24 horas por dia,  incluindo feriados, e atende a todo o país gratuitamente.

*Reportagem: Unic-Rio.

*Apresentação: Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Confira um dos vídeos: