Entrevista: Luís Brites Pereira

14 julho 2011

Novo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Portugal fala à Rádio ONU sobre relações com países lusófonos, economia e futuro da Cplp.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

Nesta quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU realizou uma sessão especial sobre o Sudão do Sul. O país, do centro-leste da África, tornou-se independente em 9 de julho. Um dia após o encontro do órgão, ele passou a ser o mais novo Estado-membro das Nações Unidas.

A reunião do Conselho de Segurança sobre a nova nação africana contou com vários ministros de Estado e autoridades. Na cadeira de Portugal estava um dos integrantes mais jovens do governo: o Prof. Luís Brites Pereira.

Mandato

Desde o mês passado, ele está ocupando o cargo de secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Portugal. Na prática, Brites Pereira é o vice-chefe da pasta, liderada pelo político veterano e ex-jornalista Paulo Portas.

Em sua primeira entrevista à Rádio ONU, desde que assumiu o posto, o novo secretário foi preciso ao explicar o que pretende para o seu mandato num momento em que Portugal atravessa uma séria crise econômica.

Cientista respeitado no meio acadêmico e pós-doutor em Economia, o ex-professor da Universidade Nova de Lisboa delineou os termos de novas cooperações em sua área.

Oportunidades

“Nós precisamos exportar mais, precisamos encontrar novos mercados, e seguramente algumas das oportunidades de negócios que vamos ter, vão ser em países de língua portuguesa. Mas essa não é a única preocupação que temos. Em relação aos países em desenvolvimento de língua portuguesa, nós procuramos conjugar as oportunidades de negócio com aquilo que são as necessidades de desenvolvimento. Por isso, o ponto de partida é sempre um diálogo. Sem esse conhecimento não se cria a confiança necessária para poder identificar oportunidades que possam ser partilhadas por ambas as partes, com benefícios também repartidos entre ambas as partes”, afirmou.

Luís Brites Pereira conhece muito bem o universo dos países lusófonos, especialmente os africanos. Nos anos 90, ele trabalhou como leitor na África do Sul, país vizinho de Moçambique. Como acadêmico publicou vário estudos sobre economia em Cabo Verde, Moçambique e outras nações de língua portuguesa.

Cplp

Durante a entrevista à Rádio ONU, o jovem secretário de Estado falou sobre a importância de se estabelecer uma cooperação de duas vias com as ex-colônias para promover comércio e desenvolvimento. E, ao comentar o futuro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, afirmou que o aumento do interesse de outras nações não-lusófonas no bloco se deve também ao que ele chamou de “Lusofonia Global”. A Guiné-Equatorial tranformou o português em língua oficial como parte de sua candidatura a membro permanente da Cplp. Senegal, República Maurício, Ucrânia e Austrália já expressaram, publicamente, interesse nas atividades da entidade. Para o novo secretário de Estado português, este é um processo natural.

“Se a Cplp está na moda, se me permite a expressão, é porque está a encontrar outras formas de articular países, que à partida, estariam muito distantes fisicamente, mas estão muito próximos, em termos dos valores e da visão que têm do seu desenvolvimento em conjunto. Aqui há uma expressão que vale a pena usar que é ‘lusofonia global’. Esta visão de ser lusófono não está fechada entre ações com os seus membros, outras regiões, outros países. Por isso, há aqui um diálogo, mas o princípio é sempre o mesmo: conhecimento mútuo para identificar interesses e oportunidades que possam ser mutuamente benéficas”, afirmou.

E o fortalecimento dos vínculos com países que falam a mesma língua, herdada de Portugal, será confirmado, mais uma vez, com a primeira viagem oficial do novo ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas, ao exterior.

Nesta semana, o Ministério português informou que ele escolheu Angola, Moçambique e Brasil, como primeiros destinos, que deverão ser cumpridos até o fim deste mês.

 

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