Desemprego na Europa

12 julho 2011

A Organização Internacional do Trabalho, OIT, sugere que as políticas para combater o desemprego na Europa sejam inclusivas e lembra que é importante que as pessoas que não têm trabalho mantenham a protecção social enquanto procuram uma nova ocupação.

Nesta reportagem de João Rosário para a Rádio ONU vamos escutar como um desempregado português olha para o futuro, num país que tem a quarta taxa de pessoas sem trabalho da Ocde e está a combater uma crise financeira.

João Rosário, da Rádio ONU em Nova York.

A Organização Internacional do Trabalho, OIT, está preocupada com o modo como vários países, incluindo na Europa, estão a enfrentar o agravamento do problema do desemprego.

Em causa estão políticas que tendem a liberalizar o mercado de trabalho e que o director do Instituto Internacional de Estudos Laborais da OIT, Raymond Torres, em entrevista à Rádio ONU a partir de Genebra, considera desajustadas para ajudar a promover o emprego.

Tensões sociais

Ele diz que, na OIT, pensam que estas políticas “não vão melhorar os resultados em relação ao emprego, vão criar maiores dificuldades, tensões sociais. Esse mal-estar social está a crescer como se viu em Espanha”.

Raymond Torres lembra que uma via mais sustentada de assegurar os empregos durante a crise de 2009 deu resultados em vários países da Europa.

Nota que “os países que saíram primeiro da crise encontraram soluções não liberais nem de desregulação ou flexibilidade mas com políticas inclusivas. Alemanha é exemplo com políticas sociais activas que permitiram aos desempregados a manterem-se em contacto com o mercado de trabalho e politicas de contenção para não se diminuir o salário mínimo e o poder de compra num momento de crise.”

Portugal

Portugal tem hoje em dia a quarta maior taxa de desemprego dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, Ocde.

Segundo as últimas estatísticas, 12,6% dos portugueses em idade activa está sem trabalho. Significa que são mais de 680 mil pessoas, entre elas está Daniel Gaspar, de 34 anos.

Confessa que “é muito complicado estar desempregado, é uma palavra muito difícil. Parece que não temos utilidade. Parece que não sou mesmo necessário na sociedade. Tenho 34 anos, pretendo criar a minha família e não tenho base a não ser subsídio desemprego que não é suficiente”.

Daniel faz parte dos mais de 120 mil portugueses desempregados com estudos superiores. A tendência de aumento dos jovens licenciados sem trabalho não é apenas uma característica portuguesa, como observa Raymond Torres quando diz que “ o problema dos jovens na Europa e no resto do mundo é que a criação de trabalho é lenta o que dificulta os que têm de entrar no mercado de trabalho, o que prejudica os jovens”.

Europa

A Europa é o continente mais afectado pelo desemprego, que é de 9% nos países da zona Euro. Espanha tem a maior taxa de desempregados: 20,7%

Para além de Portugal e Espanha, a Hungria, a Irlanda e a Republica Eslovaca são os outros países com maior desemprego.

Raymond Torres, da OIT, não fica apenas pela análise do problema da falta de trabalho. Também aponta soluções e diz que “a via mais equilibrada passa pela reforma do sistema financeiro, que originou a crise, que pressupõe uma redução a médio prazo dos défices mas equilibrada e razoável, que tem em conta a protecção dos desempregados, o salário mínimo”.

Frustração

Daniel diz que “os jovens estão cada vez a sair mais tarde da casa dos pais. Eu saí logo depois de terminar o curso mas foi com muitas dificuldades”.

Daniel é português, mas por certo partilha a mesma frustração com milhares de outras pessoas na sua situação. À procura de trabalho em plena crise, receoso com o amanhã: “Poupar para fazer face às crises, para mim é irrealista porque é chapa ganha, chapa gasta”.

 

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