África contribui com 1% para indústria global, aponta relatório da ONU

12 julho 2011

Novo estudo indica necessidade de assentar as bases de industrialização em debates envolvendo empresários e empreendedores.

[caption id="attachment_201085" align="alignleft" width="350" caption="Continente caiu de 23% para 20% em valor industrial acrescentado"]

Eleutério Guevane, da Rádio ONU, em Nova Iorque.

África requer uma nova abordagem para estimular a industrialização, aponta um novo estudo de agências da ONU. Publicado esta segunda-feira, o “Relatório sobre o Desenvolvimento Económico em África, 2011” indica que o continente contribui com 1% para a indústria mundial.

O informe “Promovendo o Desenvolvimento Industrial num Novo Ambiente Global” pede uma intervenção “prática e bem concebida”, tendo em vista um processo de industrialização ajustado às circunstâncias de cada país.

Desenvolvimento

A pesquisa foi produzida pela Conferência da ONU para o Desenvolvimento e Comércio, Unctad, e a Organização da ONU para o Desenvolvimento Industrial, Unido.

O documento aponta também a necessidade de o continente assentar as suas bases para a industrialização numa discussão extensiva com participação de empresários e empreendedores.

Crescimento

Falando à Rádio ONU, antes do lançamento do relatório, a chefe do Programa de Economia Criativa e Indústrias da Unctad, Edna dos Santos, abordou as vantagens da economia criativa para impulsionar o desempenho de países em desenvolvimento, como Moçambique.

“Ajudar o país no processo de repensar a estratégia de desenvolvimento no sentido de diversificar as fontes de produtos de exportação. Moçambique, por exemplo, já tem muita tradição importante no cinema. O país, há muitos anos, fazia filmes que, a nível africano, tiveram um impacto bastante importante”, frisou.

Trabalho Intensivo

De acordo com o relatório, África está a perder terreno nas indústrias que empregam o trabalho intensivo – que marcam geralmente a etapa inicial para o desenvolvimento industrial. Conforme aponta, a categoria é particularmente importante para o continente que carece de mais postos de emprego nas cidades em crescimento.

Relativamente às actividades do trabalho intensivo, em termos valor industrial acrescentado, o continente caiu de 23%, no ano 2000, para 20% em 2008. O documento aponta progressos em indústrias que estimulam a tecnologia, como o sector químico. No mesmo período, a participação da alta e média tecnologia subiu cerca de 25%.

Sector Agrícola

De acordo com o relatório, o desenvolvimento industrial não será alcançado com base no sector agrícola e recomenda que haja esforços baseados no apoio dos governos e estímulo aos empreendedores.

O estudo recomenda o estabelecimento de relações mais efectivas entre negócios e Estado, um foco no levantamento de obstáculos ao desenvolvimento industrial e operacionalização de mecanismos de prestação de monitorização, avaliação e prestação de contas.

 

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