Acnur deplora repatriamento de 93 migrantes etíopes e somalis de Moçambique

24 junho 2011

Agência aponta que parte do grupo lançou-se ao mar por receios da presença de lanchas policiais; quatro pessoas teriam afogado.

[caption id="attachment_199359" align="alignleft" width="350" caption="Refugiado somali"]

Manoel Matola, da Rádio ONU em Maputo.*

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, Acnur, anunciou que as autoridades moçambicanas expulsaram 93 emigrantes da Etiópia e Somália, incluindo quatro crianças e idosos.

Em comunicado, a agência da ONU refere que, na terça-feira, a Polícia impediu a entrada no país do grupo na costa de Mocimboa da Praia, no norte, junto da fronteira com a Tanzânia.

Bens Confiscados

O Acnur deplorou o facto de a polícia de ter repatriado os 93 estrangeiros para a Tanzânia, em vez de os levar para um novo campo de refugiados na região. A agência relata a confiscação de bens como telemóveis e calçado para desencorajar o seu regresso a Moçambique.

Segundo a nota, os candidatos a refugiados faziam parte de um grupo de 134 pessoas forçadas a lançar-se ao mar, na costa moçambicana, por receios do comandante da embarcação da presença de lanchas da polícia. Durante a operação, quatro pessoas teriam se afogado.

Floresta Densa

A maioria dos que chegaram à costa, depois de re-agrupados, terá passado quase 12 horas a cruzar uma floresta densa antes de denunciados por moradores à polícia, que os transportou para a vila da Mocimboa da Praia.

Segundo relatos populares, pelo menos 37 pessoas estão desaparecidas, provavelmente perdidas na floresta.

Deportação

A agência da ONU refere que no dia 16 de junho, a polícia deportou outras 160 pessoas, e que, na sequência dos incidentes, lembrou às autoridades moçambicanas as suas obrigações no âmbito de convenções de apoio aos refugiados ratificadas por Moçambique.

Dados do Acnur indicam que, desde Janeiro, 7,5 mil somalis e etíopes requerentes de asilo chegaram a Maratane, o principal centro de acolhimento de refugiados no país.

O delegado do Instituto Nacional de Apoio aos Refugiados em Cabo Delegado, Joaquim Manuel Sales, disse estar a recolher dados sobre o incidente para poder pronunciar-se, refere a imprensa moçambicana.

*Apresentação: Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

 

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