Alguns sectores de Fukushima Daichi são de difícil acesso, aponta a Aiea

22 junho 2011

Na Conferência Interministerial sobre a Segurança Nuclear, embaixador brasileiro pede visão clara sobre energia nuclear; ONU quer acção de várias agências na análise dos factos em torno do acidente nuclear de Março no Japão.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Vai levar tempo para apurar a real dimensão do impacto do acidente de Fukushima Daichi, disse, à Rádio ONU, o representante do Brasil na Agência Internacional de Energia Atómica, Aiea.

O embaixador Antonio Guerreiro foi entrevistado, esta quarta-feira,  à margem da Conferência Interministerial sobre a Segurança Nuclear, que decorre em Viena.

Dificuldades

Guerreiro, que preside o evento, falou da existência de dificuldades da acesso às instalações nucleares japonesas, após o terremoto no país que foi seguido de um maremoto em Março.

No encontro, foi apresentado o relatório de uma missão internacional de investigadores, enviada pela agência para fazer uma avaliação preliminar a várias instalações do Japão, entre elas a de Fukushima Daichi, a mais afectada pelo acidente.

Desastre

Material radioactivo foi libertado por sectores danificados das instalações e a àrea foi isolada num raio de 20 km. De acordo com a missão internacional, o Japão não estava preparado para lidar com a escala do desastre.

Apesar dos eventos, Antonio Guerreiro defende a necessidade de uma visão clara da energia nuclear.

Riscos

“A energia nuclear é um assunto que, normalmente, é carregado de muita emoção. Não morreu ninguém em decorrência do que aconteceu em Fukushima. As mortes não foram decorrentes do acidente nuclear mas do tsunami que aconteceu. A energia nuclear está aí e, dizer que não é segura é uma falácia. Há riscos como em qualquer empreendimento humano. A nossa função é tentar minorar esses riscos e evitar, na medida do possível, que eles aconteçam”, sublinhou.

Guerreiro apontou que ao nível da ONU existe um plano inter-agências para analisar os factos no âmbito do esforço para melhorar a segurança nuclear global a partir das lições do acidente nuclear do Japão.

O evento, de cinco dias, decorre até a próxima sexta-feira.

 

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