Alta dos Alimentos: Perguntas e Respostas
BR

6 junho 2011

Material preparado pelo Programa Mundial de Alimentos, PMA. Tradução de Daniela Gross.

O preço dos alimentos nos mercados mundiais está próximo do pico histórico de fevereiro deste ano. Na época, a alta foi influenciada pelas  temperaturas extremas na América do Norte e a instabilidade política no Oriente Médio.

De acordo com o Programa Mundial dos Alimentos da ONU, PMA, a atual alta dos preços dos alimentos levou 44 milhões de pessoas à pobreza extrema e à fome desde 2010. Em países pobres, um família chega a gastar 70% do que ganha na compra de comida.

As causas e os efeitos do problema são diversos. Para entender melhor esta questão, o Programa Mundial dos Alimentos da ONU responde 10 perguntas básicas sobre o assunto:

1. Os preços dos alimentos são realmente caros?

O índice de preços globais de alimentos medido pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, atingiu um pico histórico de 237 pontos em fevereiro, muito acima do recorde anterior de 213.5 alcançado em 2008. Em março, o índice sofreu um pequena baixa, ficando em 230, e em abril, teve novamente uma alta, chegando a 232 pontos.

2. Então, os preços dos alimentos estão caindo novamente?

A queda de março foi certamente bem-vinda, mas seria prematuro concluir que a atual tendência de alta dos preços tenha sido revertida. Além disso, mesmo com a queda, os preços ainda se mantêm 36% acima dos valores de abril do último ano. Especialistas estão aguardando informações que serão publicadas em breve para poderem avaliar se fazendeiros estão plantando mais para atender a demanda. Só então, ficará mais fácil prever a atual tendência.

3. Existe alguma notícia boa?

Fornecedores das maiores culturas alimentares estão com uma abundância maior do que dois atrás. Colheitas nas regiões sul e leste da África foram boas, mantendo os custos de alimentos básicos como o milho branco, baixos. Reservas de arroz, trigo e milho branco (alimentos básicos mais importantes em países vulneráveis) foram adequadas, o que diminui os riscos de uma nova crise como a de 2007/08.

4. Eventos recentes no Oriente Médios e no Norte da África podem ter algum impacto nesta questão?

Tanto os eventos no Oriente Médio quanto no Norte da África estão contribuindo para a instabilidade dos preços, assim como os efeitos da destruição no Japão. Porém, a agência FAO acredita que a alta do preço do trigo pode recuar nos próximos meses devido ao atraso nas importações e queda da demanda global provocadas pelas tensões sociais na região do norte da África.

5. Quais os países vulneráveis à alta no preço dos alimentos?

O alto preço dos alimentos é um problema para os países pobres, os quais dependem de importação para alimentar a sua população. Países com inflação elevada, reservas de moeda estrangeira limitada e moedas locais desvalorizadas em relação ao dólar também são mais vulneráveis. O Banco Mundial estima que 44 milhões de pessoas foram levadas a pobreza extrema e fome em países em desenvolvimento como resultado da alta do preço dos alimentos desde junho do ano passado.

6. Como as pessoas dos países pobres lidam com o problema?

Em alguns países onde o Programa Mundial de Alimentos da ONU trabalha, certas famílias chegam a gastar cerca de 60% a 80% dos salários com comida. Em situações com esta, a alta dos preços tem um efeito profundo. Famílias têm que cortar o número de refeições diárias, comprar produtos mais baratos e com menor valor nutritivo e diminuir os gastos com educação e medicamentos.

7. O alto preço dos alimentos não é bom para os fazendeiros pobres?

O alto preço dos alimentos pode representar uma oportunidade para pessoas que trabalham com agricultura. O problema é que muitas destas pessoas não produzem o suficiente para alimentar nem elas próprias, quando mais para vender. Muitas delas não têm acesso aos mercados ondes os preços são mais elevados, ou os recusos para investir em fertilizantes para elever a produção nos campos.

8. Como a alta dos preços dos alimentos afeta o PMA?

A alta dos preços dos alimentos afeta o PMA de duas maneiras: fica mais caro para o PMA comprar alimentos para as pessoas famintas, e o número de pessoas necessitadas também aumenta. Se os preços continuarem a aumentar, ou até mesmo continuarem no mesmo nível elevado até o final do ano, o PMA sofrerá serios problemas em termos de orçamento. O PMA então terá que tomar decisões difíceis semelhantes às tomadas em 2008, como a redução de rações, a diminuição do número de benificiários, ou a busca recursos adicionais.

9. Quanto custa para o PMA para comprar alimentos?

Em 2010, o PMA comprou o equivalente a R$ 1,97 bilhão em produtos alimentícios. Destes, cerca R$ 1,5 bilhão vieram de países em desenvolvimento. A ação do PMA para encaminhar a compra de alimentos enquanto os preços dos mercados estavam relativamente baixos em 2010 auxiliou na diminuição do impacto no orçamento da agência, mas cada 10% de aumento no preço da cesta básica do PMA, custa à agência o equivalente a R$ 315 milhões a mais por ano para comprar a mesma quantidade de comida.

10. Existe alguma razão para comemorar?

O fato destas questões estarem na agenda da G20 deste ano é encorajador. Assim também, como as discussões relacionadas as formas de resolver reações como a proibição às exportações. Impactos nos trabalhos humanitários devido a estas proibições não deveriam ser permitidos. Também existe a expectativa de que governos discutam a possibilidade de criar reservas de alimentos próximas a áreas com insegurança alimentar.

 

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