Desafios no combate ao HIV/Sida, 30 anos depois

3 junho 2011

Relatório da ONU mostra que 6,6 milhões de pessoas recebem tratamento anti-retroviral em países de rendas baixa e média; mas 7 mil pessoas continuam a ser contaminadas diariamente.

[caption id="attachment_196980" align="alignleft" width="350" caption="Quedas acima da média "]

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Sida, Onusida, informou que o número de novas infecções caiu cerca de 25%, entre 2001 e 2009. A agência lançou, esta sexta-feira, um relatório em Genebra e Nova Iorque, para marcar os 30 anos da epidemia.

O primeiro caso de Sida foi notificado a 5 de Junho de 1981. Segundo a agência, 34 milhões de pessoas vivem actualmente com o HIV e cerca de 30 milhões perderam a vida, desde o surgimento da epidemia.

Acesso

Para a ONU, o acesso ao tratamento vai transformar a resposta à Sida na próxima década. O chefe do Onusida, Michel Sidibé, disse que a terapia com anti-retrovirais não só aumenta a sobrevivência, mas evita a transmissão do vírus para mulheres, homens e crianças.

Actualmente, mais de 6,6 milhões de seropositivos são tratados em países de rendas baixa e média. Mas no ano passado, cerca de 9 milhões de pessoas que tinham direito a ser tratadas, ficaram sem os medicamentos.

O médico da OMS, Marco Vitória, falou à Rádio ONU de Genebra, antes do relatório, sobre alguns desafios logísticos na cobertura universal.

“Em muitos países, apesar dos avanços, ainda existem muitas pessoas que não têm acesso ao tratamento em virtude de uma série de dificuldades estruturais. Apesar de ser um tratamento muito efetivo. Ele ainda é complexo para ser ser administrado por pessoas que não sejam médicos, ou especialistas em saúde, em áreas fora de centro urbanos”, afirmou.

África do Sul e Índia

Alguns países registam ganhos na luta contra o HIV. Na Índia, o índice de novas infecções caiu mais que pela metade, já na África do Sul, que viveu altas taxas de contaminação, a queda foi de 35%. Os dois países concentram a maior parte de seropositivos nos respectivos continentes.

A distribuição de anti-retrovirais para crianças também aumentou mais de 50% desde 2008.

O relatório revela que após 30 anos, há maior preocupação com a segurança nas relações sexuais. Mas ocorrem disparidades. Homens jovens têm mais acesso à informação sobre prevenção ao vírus que mulheres na mesma idade.

Cerca de 74% dos homens conhecem o preservativo como método de prevenção. Entre as mulheres, este número baixa para 49%. O tratamento para crianças também é menor que para adultos.

Direitos Humanos

As regiões da África Subsaariana e do sudeste da Ásia registaram quedas acima da média, já América Latina e Caraíbas tiveram reduções modestas de menos de 25%. O leste da Europa, Oriente Médio e o norte de África notificaram aumento dos casos de HIV.

O relatório “Estratégia Global do Sector de Saúde sobre HIV/Sida para 2011-2015” deverá conduzir as acções da OMS e dos países-membros para fortificar os sistemas de saúde e responder a violações de direitos humanos e desigualdades que impedem o acesso ao tratamento.

*Apresentação: Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

 

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