Chefe de direitos humanos condena mortes de mais de 50 no Iêmen
Centenas ficaram feridas após repressão a manifestações pró-democracia na cidade de Taizz, no sul do país; presidente recusa-se a deixar o cargo.
[caption id="attachment_196684" align="alignleft" width="350" caption="Navi Pillay"]
Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.
A alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, condenou a violência a manifestantes anti-governo no Iêmen. Em nota, ela afirmou que mais de 50 pessoas morreram desde o domingo na cidade de Taizz, no sul do país.
A repressão policial deixou centenas de feridos. Relatos enviados às Nações Unidas indicam que forças do Exército e da Guarda Republicana teriam destruído os acampamentos dos manifestantes na praça Horryia, em Taizz, a tiros, canhões de água e tratores.
Desaparecimentos
A alta comissária da ONU disse que os “ataques a civis desarmados por forças do governo têm que parar imediatamente.”
Além do número de mortos e feridos, pelo menos 100 pessoas podem ter sido presas neste fim de semana, no Iêmen. Segunda a nota, dezenas de desaparecimentos foram registrados.
Navi Pillay pediu ao governo iemenita que investigue casos de tortura, maus tratos e que leve os responsáveis à justiça.
Acordo
Na semana passada, o Alto Comissariado da ONU pediu ao governo que suspendesse a repressão aos manifestantes.
Os protestos recomeçaram após a desistência do presidente Ali Abdullah Saleh de deixar o poder.
Ele se recusou, pela terceria vez consecutiva, a assinar um acordo transferindo o cargo. Os protestos por democracia surgiram no início do ano.
Segundo a ONU, a situação no Iêmen pode levar à guerra civil.
* Apresentação: Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.