Ataques a civis em Misrata podem ser crimes internacionais
BR

20 abril 2011

Afirmação foi feita pela alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, em comunicado, divulgado nesta quarta-feira, sobre o conflito na Líbia.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

A alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, condenou o uso de bombas de fragmentação e armamentos pesados pelas forças do governo da Líbia na cidade de Misrata.

Em comunicado, divulgado nesta quarta-feira, Pillay afirmou que ataques em áreas urbanas e densamente habitadas, e que resultam em grande número de mortes de civis, podem ser caracterizados como crimes internacionais.

Cidade Isolada

Segundo a alta comissária, as bombas explodiram a poucas centenas de metros do hospital Misrata, e pelo menos duas clínicas médicas foram atingidas pelos morteiros e pelo fogo cruzado. Não é possível saber o número exato de vítimas fatais porque a cidade está isolada do resto do país.

Antes do comunicado, a chefe da Organização Internacional para Migrações, OIM, em Portugal, Marta Bronzin, disse à Rádio ONU, de Lisboa, que a situação de migrantes em Misrata é crítica.

"A questão-chave é que as condições são extremamente variáveis e muito, muito instáveis. Portanto, o tempo, a disposição para poder evacuar as pessoas que ainda estão lá - entre as quais ainda há crianças, famílias e mulheres - é muito pouco e as dificuldades são crescentes. É preciso ativar o quanto antes os fundos para fazer uma viagem num barco maior para evacuar todas as pessoas que ainda lá se encontram. É também importante tomar atenção sobre as pessoas que ainda se encontram na Líbia", frisou.

Tribunal Penal Internacional

O conflito na Líbia começou em fevereiro, após manifestantes saírem às ruas para pedir a queda do líder Muammar Kadafi.

A alta comissária da ONU disse que as forças do governo que estão cercando Misrata devem saber que as ordens e ações delas estão sob o escrutínio intenso, e que o Tribunal Penal Internacional também está apurando possíveis crimes.

Ela encerrou o comunicado afirmando que os jornalistas estão sofrendo com o conflito através de ataques, prisões arbitrárias e expulsões, não só na Líbia, mas em todas as crises que estão ocorrendo no Oriente Médio e no norte da África. Ela citou os casos da Síria, do Barein e também o do Iêmen.

Navi Pillay afirmou que a situação mais preocupante é a da Líbia e pediu que todos os membros da mídia e da imprensa sejam libertados. O paradeiro de muitos permanece desconhecido.

 

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