Evento no Rio lembra 17 anos do genocídio de Ruanda

12 abril 2011

Estudantes e acadêmicos abordam lições dos assassinatos em massa ocorrido em 1994 no país africano; mais de 800 mil pessoas morreram.

Julia Mandil, da Rádio ONU, no Rio de Janeiro.*

Uma reflexão sobre a passagem dos 17 anos após o genocídio de Ruanda envolveu estudantes e acadêmicos do Instituto de Relações Internacionais, IRI, da PUC-Rio, e o Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil , Unic-Rio.

A mesa redonda, realizada nesta segunda-feira, lembrou a data, marcada internacionalmente em 7 de abril. No massacre, foram mortas mais de 800 mil pessoas.

Conceito

"Lições de Ruanda": o que poderia ter sido feito?" Foi a pergunta lançada pelo coordenador da mesa, João Pontes Nogueira. No debate, o professor do IRI e o Diretor do Unic Rio, Giancarlo Summa, falaram sobre a importância da definição que a comunidade internacional dá ao conceito de genocídio.

Summa comentou a autocrítica que a própria comunidade internacional, incluindo as Nações Unidas, faz em relação à postura adotada diante dos acontecimentos que pré-anunciavam uma tragédia humanitária.

Compromisso

"Infelizmente ódios raciais, étnicos e religiosos estão presentes no mundo, não foram debelados. Mas nós temos esse compromisso moral e político de evitar que um genocídio possa vir a ocorrer novamente. Temos o compromisso de fazer com que a responsabilidade de proteger, que a ONU e a comunidade internacional adotaram como princípio já faz alguns anos, em 2005, se torne realidade", frisou.

Materiais como livros e filmes que ajudam a reacender e elucidar o debate sobre a questão, foram citados por Alexandre dos Santos que também é professor no IRI. Ele fez um breve contexto histórico da situação política e social de Ruanda nos anos 90.

Marco para a Humanidade

Já a professora Simone Rocha afirmou que o genocídio em Ruanda representou um marco para a comunidade de ajuda humanitária. Simone Rocha lembrou a delicada situação vivenciada pelos ruandeses, principalmente nos acampamentos de refugiados da região.

"Eu acho que houve um aprendizado, não só no Ruanda como ao longo de todos os anos 90, sobre o quanto as agências humanitárias solicitam soluções ou intervenções políticas ou militares. Na verdade, algumas agências nas diversas crises se manifestaram pedindo publicamente, internacionalmente, uma solução política determinada ou uma intervenção militar para por fim a uma certa situação, quando, no fundo, a história vem mostrando que nada é tão simples assim. Que no fim, as intervenções militares, sobretudo, às vezes chegam tarde como foi o caso do Ruanda", sublinhou.

Para marcar a data, a ONU elaborou uma exposição com paineis informativos sobre o genocído, que foram traduzidos em vários idiomas incluindo o português, exibidos pelo Unic no Rio de Janeiro.

*Reportagem: Unic-Rio.

*Apresentação: Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud