Temendo guerra, milhares fogem da capital de Cote d’Ivoire

22 março 2011

Movimento segue-se a apelo lançado aos civis para se juntarem às frentes armadas leais a Laurent Gbago; Estima-se que mais de 300 mil pessoas fugiram da capital marfinense.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Milhares de marfinenses estão aglomerados nos principais terminais de autocarros de Abidjã, para embarcar nos primeiros veículos disponíveis e deixar a capital do país, também conhecido como Costa do Marfim.

De acordo com o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, o movimento segue-se ao que vários marfinenses teriam entendido como um chamamento à guerra, ocorrido no último fim-de-semana.

Frentes Armadas

No sábado, o ministro da juventude do governo em exercício, Charles Blé Goude, lançou um apelo aos civis para se juntarem às frentes armadas leais a Laurent Gbago.

O porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, William Spindler, falou à Rádio ONU, de Paris, dos receios da população.

Apelo

"Nos terminais rodoviários da cidade, algumas pessoas disseram ao Acnur que estavam a deixar a cidade por causa do apelo de sábado e há rumores de que milhares de jovens teriam respondido ao apelo, o que aumentou a tensão na região", referiu.

Apoiantes de Gbagbo combatem os simpatizantes do seu rival, Alassane Ouattara, que é reconhecido pela comunidade internacional como presidente-eleito. Ambos reclamam a vitória nas eleições.

Fuga em massa

Nos últimos dias, equipas da agência dizem ter visto milhares de pessoas a tentar deixar Abidjã, a partir dos terminais de Adjame e Yopougon, as duas maiores da cidade. A agência aponta que grande parte das pessoas passa a noite nos locais para garantir os seus lugares.

Estima-se que mais de 300 mil pessoas já foram desalojadas em Abidjã.

Eles fugiram principalmente de Abobo, bairro a norte do distrito, que durante semanas foi palco de violentos combates.

A agência refere que os terminais de autocarros já estavam lotados de famílias que procuravam deixar Abidjã após a onda de violência da semana passada, a pior observada desde a crise pós-eleitoral em Novembro.

 

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