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Preocupações com violência contra migrantes da África Subsaariana na Líbia (Português África)

Preocupações com violência contra migrantes da África Subsaariana na Líbia (Português África)

Migrantes da região são frequentemente tidos como supostos mercenários ao serviço do líder líbio; OIM repatria migrantes bengalis.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Agências humanitárias internacionais manifestaram esta terça-feira a sua "preocupação crescente" com o aumento da violência e discriminação contra migrantes da África Subsaariana na Líbia.

Na sequência dos protestos contra o regime de Muammar Kadafi, vários migrantes subsaarianos foram tidos como supostos mercenários ao serviço do líder líbio, no poder há mais de 40 anos. Segundo a ONU, a violência pode ter provocado milhares de mortos

Falta de Meios

O número dos migrantes subsaarianos que chega às fronteiras para escapar da violência é reduzido, e pode indicar que estes estejam com receio de deixar as suas casas em direcção às fronteiras, apontam as agências.

A representante da Organização Internacional para Migrações, OIM em Portugal, Marta Bronzin, disse à Rádio ONU, de Lisboa, que os migrantes não têm meios para pedir assistência para o regresso às suas terras de origem.

"Há relatos de alguma violência física e de dificuldades em chegarem até a fronteira e, eventualmente, não tenham meios para tal. Por isso é importante conseguir chegar até a estas pessoas para dar o apoio necessário, sendo por isso prioritário", apontou.

Repatriamento

A agência anunciou esta terça-feira o início do repatriamento de 2180 bengalis que fogem da crise, a partir do Egipto e da Tunísia.

De acordo com a OIM foi igualmente repatriado um grupo de migrantes vietnamitas e ganeses.

Documentos

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, disse que uma adolescente de 12 anos foi violada por homens que exigiam a retirada dos migrantes subsarianos do país.A agência aponta que muitos têm os seus documentos confiscados ou destruídos.

Entretanto, a Organização Mundial da Saúde, OMS, disse precisar de US$ 11,1 milhões, nos próximos três meses, para garantir cuidados de saúde e ir de encontro com as necessidades nutricionais dos afectados pela crise.

Estimativas da OMS apontam para a existência de mais de 5 mil feridos e 2 milhões de pessoas que precisam de cuidados básicos.