ONU defende indemnização para vítimas de violações na RD Congo

3 março 2011

Relatório aponta que pessoas sofrem estigma, agravado pela gravidez ou doenças contraídas durante as violações.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

As vítimas de violação sexual na República Democrática do Congo devem ser indemnizadas devido ao estigma social e à negligência, defendeu um painel do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.

A conclusão consta do relatório apresentado pelo grupo, nesta quinta-feira, em Genebra, após ter visitado o país dos Grandes Lagos, entre Setembro e Outubro do ano passado.

Sobreviventes

Durante a deslocação a sete regiões de três províncias e da capital Kinshasa, o painel ouviu 61 sobreviventes da violência sexual, com idades compreendidas entre os três e os 16 anos, incluindo quatro homens.

Em declarações à imprensa, a alta comissária adjunta da ONU de Direitos Humanos, Kyung-wha Kang, que presidiu o painel, disse que as vítimas das violações passam por um intenso sofrimento físico, psicológico e material.

Ela afirmou que as vítimas de violência são rejeitadas pelos maridos e marginalizados socialmente e devem defender-se a si próprias e, muitas vezes, vivem nas ruas. A sua estigmatização vem a ser agravada pela fístula, gravidez após as violações e a transmissão de infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV/SIDA.

Numa visita efectuada esta quinta-feira à cidade de Goma, no leste do país, o director-geral do Fundo da ONU para a Infância, Anthony Lake, disse que a violência sexual contra menores não pode ser subestimada.

Segundo referiu, a violência sexual "mina o tecido social, reforça o ciclo vicioso da violência afectando a paz e progresso."

 

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