Brasil continua sendo ‘país de trânsito’ para drogas ilícitas, diz Unodc
BR

2 março 2011

Relatório de agência da ONU diz que apesar de não haver provas de laboratórios de entorpecentes em território brasileiro, proximidade com costa ocidental da África atrai redes criminosas.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova York.*

Um relatório da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes, Jife, alerta para a importância do combate à corrupção na luta contra o tráfico de drogas.

Segundo o documento, lançado nesta quarta-feira, o Brasil continua a ser "um país de trânsito" para drogas traficadas aos Estados Unidos, África e Europa.

Laboratórios

O estudo afirma que apesar de não haver provas de existência de laboratórios de drogas em território brasileiro, o Brasil é tido como ponto preferencial das organizações de drogas da América do Sul, devido à sua proximidade com a costa ocidental da África.

Mas o documento também elogia o governo pelo combate ao tráfico e pelas iniciativas de prevenção às chamadas "drogas de desenho", como o crack. O chefe do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, no Brasil, Bo Mathiasen, disse que o país continua a ter um desafio com a cocaína.

Consumo Doméstico

"O Brasil também é principalmente uma rota de cocaína. Parte da cocaína que entra no Brasil fica no país para consumo doméstico. Uma parte vai para outros mercados, como a Europa, às vezes via África Ocidental e às vezes diretamente nos navios", disse.

O Unodc pediu ao governo que intensifique as medidas de combate para assegurar os ganhos já alcançados na repressão ao tráfico.

Uma das medidas é o reforço dos sistemas de controle das fronteiras. De acordo com o Unodc, o consumo crack no Brasil aumentou. O mesmo ocorreu com outros países sul-americanos, como informou Bo Mathiasen.

"Na verdade, falando do Brasil, especificamente, a avaliação da Jife é bem positiva. Se nota no relatório os avanços que o governo tem feito ao lançar o Plano Nacional Integrado contra o Crack e outras Drogas, que foi lançado em maio do ano passado. Também se nota os avanços que tem feito a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no que diz respeito a limitar e contar melhor o consumo de drogas que são lícitas, mas precisam de supervisão médica ", frisou.

Ao lado do Chile, o Brasil apresenta os maiores índices de consumo de derivados do ópio, com incidência de 0,5%.

O consumo de drogas nos Estados Unidos levou ao tratamento de 1,2 milhão de pessoas em 2009.

*Apresentação: Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

 

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