Cortes na defesa podem ajudar a educar crianças, diz Unesco

1 março 2011

Para alcançar a Meta do Milénio de educação para todos, mundo precisará de US$ 16 mil milhões até 2015; cerca de 28 milhões de crianças estão fora da escola devido a conflitos.

Mônica Villela Grayley & Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, afirmou que os países precisam repensar seus orçamentos para investir mais na educação e menos na defesa.

O apelo é parte do "Relatório de Monitorização Global 2011", lançado pela agência nesta terça-feira.

Conflitos e Guerras

Segundo a Unesco, 28 milhões de crianças estão fora das salas de aula, em todo o mundo, por causa de conflitos e guerras civis.

De acordo com o relatório, os conflitos armados resultam no desvio de gastos públicos, que podiam ser investidos na educação.

Acesso

Em entrevista à Rádio ONU, de Brasília, o coordenador do Sector da Educação da Unesco, Paolo Fontani, disse que o mundo pode fazer mais para ampliar o acesso à educação de qualidade.

"Seis dias de gastos militares de todos os países, por ano, pagariam os US$ 16 mil milhões, o dinheiro suficiente para dar educação de qualidade para todas as crianças do mundo", referiu.

O relatório aponta para um aumento do número de ataques com destruição ou saque de escolas em conflitos entre governos e rebeldes. Segundo indica, nos 38 países onde ocorreram conflitos armados, entre 1999 e 2008, professores e alunos têm sido vistos como alvos legítimos.

Afeganistão

"Nos casos específicos do Afeganistão e norte do Paquistão, nós sabemos que os ataques são principalmente nas escolas de mulheres e de meninas. Nós sabemos que o ataque, nestes casos, é principalmente motivado por uma visão muito restrita de desenvolvimento humano e social da sociedade por grupos que pensam que atacando as escolas de meninas vão afectar o seu direito de educação, que eles não acham existente", explicou.

O documento é apoiado por quatro vencedores do Prémio Nobel da Paz: o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, o ex-presidente da Costa Rica, Óscar Arias Sánchez, a activista iraniana Shirin Ebadi e o presidente do Timor-Leste, José Ramos Horta.

A Unesco aponta para uma evolução em relação aos 67 milhões de crianças que estavam fora escola em 2008, mas alerta para a possibilidade do não cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio para a educação até 2015.

*Apresentação: Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

 

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