Pillay pede libertação de zimbabueanos presos em debate sobre o norte de África

1 março 2011

Alta comissária da ONU para os Direitos Humanos manifesta preocupação com “medidas duras” contra a sociedade civil; grupo discutia situação no Egipto e Tunísia.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, expressou esta terça-feira a sua profunda preocupação "com a contínua detenção ilegal e relatos de maus tratos" contra 45 membros da sociedade civil no Zimbabué.

A 19 de Fevereiro, a polícia zimbabueana deteve o coordenador da organização Internacional Socialista e outros 44 activistas de justiça social e dos direitos humanos. Eles participavam numa mesa redonda sobre os eventos recentes na Tunísia e no Egipto.

Apelo

As manifestações nos países do norte de África resultaram na saída do poder dos presidentes tunisino Zine El Abidine Ben Ali e egípcio Hosni Mubarak.

Em comunicado publicado em Genebra, Navi Pillay lançou um apelo para a libertação dos detidos. Ela lembrou que num momento em que as manifestações ocorrem de forma sonante no norte de África, "não existe verdadeira democracia sem as liberdades de expressão e de reunião."

Detenção

De acordo com a alta comissária, é "irónico e inquietante" que os activistas zimbabueanos tenham sido presos e maltratados, "simplesmente por debaterem esforços dos africanos do norte em promover mudanças."

Os activistas foram acusados de traição, de acordo com Lei Criminal do Zimbabué. Grande parte deles reclama ter sido vítima de espancamento desde o momento da sua detenção.

Medidas Duras

Pillay diz que as prisões parecem ser parte de medidas duras contra a sociedade civil e membros da oposição, num "sinal claro de que a democracia no país africano está longe de ser garantida."

No documento, Navi Pillay considera a detenção dos activistas "um passo em direcção ao retrocesso" num ano em que o Zimbabué tem agendadas eleições gerais.

Segundo a alta comissária, "o governo deve tomar medidas para restaurar a crença nos processos políticos do país, começando por libertar os activistas."

 

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