Exclusão social é causa de protestos no Egipto e outros países, dizem peritos

3 fevereiro 2011

Segundo agências, manifestantes rivais voltam a confrontar-se no Cairo; especialistas da ONU defendem maior participação popular na tomada de decisões.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque

Uma equipa de relatores independentes da ONU, referiu esta quinta-feira, em Genebra, que as manifestações no Egipto e noutros países são causadas pela frustração dos cidadãos que querem ser ouvidos.

Em comunicado, os peritos denunciam a "negação dos direitos de uma participação popular significativa na tomada de decisões" por parte dos governos.

Confrontos

O pronunciamento ocorre quando confrontos continuam a ter lugar na praça Tahrir, na capital egípcia Cairo, no décimo dia de protestos contra o presidente Hosni Mubaak, que está há 30 anos no poder.

Segundo agências noticiosas, manifestantes anti-Mubarak expulsaram os simpatizantes do presidente do local. Na quarta-feira, um grupo que apoia o presidente atacou os manifestantes na praça Tahrir, dando início à confusão.

Pelo menos cinco pessoas morreram e centenas ficaram feridas.

Investigações

De acordo com as informações, no local ouvem-se tiros e são arremessadas pedras e outros objectos. O primeiro-ministro pediu desculpa pelos ataques e prometeu abrir uma investigação sobre a violência.

Segundo os peritos da ONU, as manifestações devem-se ao facto de "não ser visível o exercício de direitos humanos que incluem os civis, culturais, políticos e sociais."

Frustração Popular

Segundo a equipa de peritos da ONU, os eventos em curso no Egipto, e em países como a Tunísia e Bielorus, expressam frustrações relativas à falta de oportunidades de emprego e violações.

O comunicado indica que a negação de direitos a um padrão de vida adequado incluindo à alimentação, tem sido exacerbada pelo aumento dos preços dos alimentos e de vários produtos básicos.

Nesta quinta-feira, a Organização Mundial do Trabalho, OIT, considerou "históricas as exigências populares do egípcios."

A agência condenou as restrições relativas ao trabalho no Egipto, que detém "um dos maiores índices de desempregados, subempregados e trabalhadores do sector informal do mundo."

 

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