ONU prepara-se para uma intervenção nas cheias da África Austral

21 janeiro 2011

Caudais dos rios continuam a subir; inundações já causaram dezenas de mortos na África do Sul, Botsuana, Moçambique, Namíbia e Zâmbia.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

As Nações Unidas estão a preparar-se para prestar auxílio à situação de emergência causada pelas cheias na África Austral, afirma o Escritório da ONU para Assistência Humanitária, Ocha.

Segundo agências de notícias, autoridades da Barragem de Cahora Bassa, a maior de Moçambique, alertaram para a aberura, neste sábado, de um descarregador a 100%.

A operação vai permitir despejar 3,550 metros cúbicos de água por segundo, devido ao aumento do caudal do rio Zambeze, que também atravessa o território de Angola e Zimbabué.

Comportas

O Ocha manifestou preocupação com os planos das autoridades zambianas de abrirem, no mesmo dia, as comportas do Lago Kariba, e que tal venha a resultar na subida nos de caudais e em cheias na jusante.

Em conferência de imprensa em Genebra, a porta-voz da agência, Elisabeth Byrs, referiu-se à existência de milhares de afectados na região, com destaque para a África do Sul, Botsuana, Moçambique, Namíbia e Zâmbia.

Segundo apontou, mais de 40 sul-africanos morreram devido às cheias, que provocaram 6 mil afectados. Na Namíbia, mais de 12 mil pessoas sofrem consequências das inundações.

Moçambique

Segundo a porta-voz, em países como Madagáscar e Moçambique, podem ocorrer tempestades tropicais durante o período até Março. Segundo referiu, registaram-se chuvas acima do normal e a agência está a tomar planos de contingência. Ela refere haver prontidão do Ocha para prestar assistência, apesar de nenhum dos países afectados ter ainda solicitado o apoio da comunidade internacional.

De acordo com a agência, se não forem tomadas medidas preventivas atempadas, nas próximas seis semanas, poderá ocorrer uma espécie de desastre humanitário na maioria destes países.

O caudal do rio Zambeze está actualmente em 3.01 metros comparativamente a 1,19 metro do mesmo período do ano passado.

Ainda na África Austral, o caudal do rio Okavango, na fronteira entre Angola e Namíbia, atingiu os 7,34 metros, comparativamente aos 4 metros normais.

O Ocha salienta que preparativos estão em curso, com vista a prestar assistência a milhões de possíveis desalojados pelas chuvas, devido ao risco de adquirirem doenças por contaminação da água, como a malária e a cólera.

 

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