Tribunal intima seis por violência pós-eleitoral no Quênia
BR

15 dezembro 2010

Pedido do Tribunal Penal Internacional inclui nomes de dois ministros de Estado e um radialista; segundo Moreno Ocampo, há indícios de que o grupo teria orquestrado confrontos que mataram mais de 1 mil pessoas após votação de 2007.

[caption id="attachment_160297" align="alignleft" width="175" caption="Luis Moreno Ocampo"]

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova York.*

O promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional, TPI, Luis Moreno Ocampo, pediu ao órgão que intime seis quenianos para depor sobre a onda de violência pós-eleitoral no país.

Segundo Ocampo, os confrontos entre simpatizantes e opositores do governo após a votação presidencial de 2007, mataram mais de 1 mil pessoas e deixaram 3,5 mil feridas.

Desabrigados

Os intimados são o vice primeiro-ministro e ministro das Finanças Uhuru Kenyatta, filho do ex-presidente Jomo Kenyatta, o ministro da Industrialização, Henry Kisgey, e o chefe dos Serviços Civis, Francis Muthaura.

A lista inclui o ex-chefe de Gabinete, William Ruto, o ex-comandante da Polícia, Hussein Ali, e o radialista Joshua Sang. Nesta terça-feira, em Haia, Moreno Ocampo disse que somente fez o seu trabalho.

O promotor afirmou que os juízes devem decidir agora se rejeitam ou acatam o pedido de intimação. Mas segundo ele, os casos apresentados dão claramente uma ideia das pessoas que podem estar por trás dos crimes cometidos no Quênia.

Segundo o promotor, durante os 30 dias de confrontos, centenas de pessoas foram estupradas. Cerca de mil propriedades foram destruídas nas oito províncias quenianas.

Crimes contra a Humanidade

Luis Moreno Ocampo disse que há motivos razoáveis para se acreditar que foram cometidos crimes contra a humanidade durante a violência pós-eleitoral.

Ele pediu ao TPI que emitisse uma intimação para que os seis quenianos possam responder à justiça.

De acordo com agências de notícias, o presidente do Quênia, Mwai Kibaki, pediu calma à população. Um dos indiciados, o vice-primeiro ministro, Uhuru Kenyatta, afirmou que jamais cometeu nenhum crime.

*Apresentação: Monica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

 

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