7ª Meta: São Tomé e Príncipe e Sustentabilidade

8 dezembro 2010

Ainda faltam cinco anos para o mundo cumprir os oito Objectivos de Desenvolvimento de Milênio. 2015 é o prazo final para o alcance das Metas. Na última série de programas especiais, a Rádio ONU vai analisar a situação de São Tomé e Príncipe. Os problemas e as soluções, as falhas e os progressos registados para o alcance da 7ª Meta: Desenvolvimento Sustentável.

[caption id="attachment_188706" align="alignleft" width="175" caption="São Tomé e Príncipe"]

O Sétimo Objetivo: Desenvolvimento Sustentável em São Tomé e Príncipe.

"Um dos grandes problemas que temos é a erosão da nossa costa. Vemos também um aumento da altitude das ondas do mar, o que nos preocupa, sobretudo pela localização da própria ilha. E também a questão do roubo da areia do mar, que também provoca essa erosão. Diversos governos têm tomado medidas no sentido de impedir que tirem a areia do mar, o que cria sérios problemas à qualidade das nossas praias", explicou.

Como contou à Rádio ONU, o embaixador de São Tomé e Príncipe nas Nações Unidas, Ovídio Pequeno, o problema da erosão é uma preocupação frequente do governo são-tomense.

Movimentos

Um pequeno Estado-ilha, localizado no Golfo da Guiné, na costa da África Ocidental, São Tomé e Príncipe está sempre atento aos movimentos do aquecimento global e da subida do nível do mar.

Para o jovem país com cerca de 165 mil habitantes e pouco mais de 1 mil km2, a preservação do meio ambiente, é literalmente, uma questão de vida ou morte.

Descrito pelo presidente são-tomense, Fradique de Menezes, como um país remoto, São Tomé e Príncipe, é conhecido por suas belezas naturais ainda intocadas pelo turismo de massa. Mas por isso mesmo, o país tem se tornado, cada vez mais, o destino preferido de muitos visitantes.

Comunidade Internacional

Em 2002, durante os debates anuais dos chefes de Estado e governo na ONU, o presidente Fradique de Menezes perguntou à comunidade internacional como vários países como o seu poderiam salvar o meio ambiente e proteger os recursos naturais da degradação.

No momento, o próprio governo está implementando programas educacionais para diminuir o impacto ambiental de ações humanas, como por exemplo, a retirada da areia das praias.

"As pessoas buscam ganhar dinheiro, vendendo a areia, sobretudo, para a área da construção. É preciso que haja um processo de educação, de explicação às pessoas, de que o fato de tirarem a areia do mar e ganharem algum dinheiro, resolvem um problema de imediato, mas criam um outro problema ao longo da história de São Tomé e Princípe", disse.

Produção de Petróleo

Um tradicional produtor de cacau já na época da colonização portuguesa, o país está se preparando agora para assumir, o que alguns analistas chamam de importante papel no futuro da produção de petróleo do continente africano, as águas profundas do costa do Golfo da Guiné.

Durante seu discurso na ONU, em 2002, Fradique de Menezes disse que seu país se tornaria um modelo de economia e desenvolvimento sustentáveis. E alertou que se os níveis do mar subissem mais, as ilhas desapareceriam embaixo das ondas.

As águas são-tomenses são também uma fonte de renda para grande parte dos trabalhadores do país que vivem da pesca. A variedade das espécies de peixes como atum, peixe-voador, espadão, pargo e bonito, já fazem parte também da dieta dos são-tomenses. Como explicou à Rádio ONU, de São Tomé, o diretor-executivo da ONG, Marapa, João Pessoa.

"A pesca artesanal em São Tomé é muito importante. Cerca de 80% da proteína consumida pela população provém de pescados. A pesca artesanal representa 15% da população ativa, ou seja, 23 mil pessoas vivem da atividade", explicou.

Pesca artesanal

Fundada em 1999, a ONG assiste cerca de 3 mil pescadores das ilhas de São Tomé e Príncipe. João Pessoa explica como as mudanças climáticas já estão afetando o dia-a-dia dos que vivem da pesca.

"Com o aumento da população, com a necessidade de capturar mais, esta captura tende a diminuir. Notamos uma certa influência das alterações climáticas na pesca. O pescado tem diminuído. Com o aquecimento da temperatura da água do mar, algumas espécies não se aproximam da costa. Pressupomos que isso seja efeito das alterações do clima", concluiu.

Para tentar alcançar o sétimo Objetivo de Desenvolvimento do Milênio, São Tomé e Príncipe passou a vigiar também a saúde de suas matas. De acordo com o embaixador Ovídio Pequeno, a derrubada indiscriminada de árvores está pondo em risco a flora são-tomense como um todo.

"Temos o problema do corte das árvores, de uma forma indiscriminada. Provavelmente este é também um dos fatores que cria a mudança climática. O Ministério da Agricultura e as autoridades competentes têm feito um trabalho para impedir que se continue a abater essas árvores. Isso tem a ver com a procura da lenha, porque nas áreas rurais de São Tomé, a lenha é utilizada para se fazer as refeições. A nível dos serviços competentes, o trabalho tem sido feito no sentido de explicar e educar as pessoas que se continuarmos a ter este tipo de comportamento, estaremos a condenar as gerações futuras em matéria de sobrevivência e da proteção do meio ambiente", contou.

A parceria da sociedade civil com o governo para diminuir os impactos da mudança climática se faz presente nos setores público e privado. João Pessoa da ONG, Marapa, conta como tem cooperado com o governo local para aliviar os efeitos do aquecimento global.

"Melhoria das condições da captura de peixes, instalando dispositivo de concentração de pescados; melhorando as embarcações dos pescadores; introduzindo novas técnicas de pesca. É uma série de atividades da nossa parte, como também dentro da política do governo, que tem projetado algumas atividades. Estamos a crer que muitos desses objetivos, poderemos alcançar", disse.

Mesmo com todos os programas já implementados e os que ainda estão por vir, o governo acredita que a sétima Meta do Milênio pode não ser alcançada em São Tomé e Príncipe por vários fatores, um deles é a falta de recursos para enfrentar o problema.

Durante a Conferência sobre Mudança Climática em Cancún, em dezembro de 2010, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, voltou a pedir aos países industrializados que contribuam com US$ 100 bilhões para ajudar as nações em desenvolvimento a combater o efeito estufa. Para a pequena nação africana, a ajuda externa é mais de 80% de suas necessidades, como explica o embaixador Ovídio Pequeno.

"Em relação às Metas do Milênio, provavelmente essa é uma das questões em que não atingimos o patamar desejado. A sustentabilidade é para nós um aspecto importante. Em um país como São Tomé, que depende essencialmente de ajuda externa em mais de 80%, ela necessita ter os seus perimêtros muito bem orientados, de forma que possa utilizar essa ajuda muito bem canalizada. E também encontrar mecanismos internos que permita o desbloqueamento rápido e eficiente dessa ajuda, através de programas coesos, que possam de fato criar o desenvolvimento sustentado que todos nós almejamos", afirmou.

Metas do Milênio, uma produção da Rádio ONU em Nova York.

Produção e Reportagem: Leda Letra

Edição e Apresentação: Mônica Villela Grayley

Direção Técnica: Zach Prewitt

Direção Geral: Michele DuBach

 

 

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