Afeganistão: produção de ópio cai pela metade em 2010
BR

30 setembro 2010

Relatório da ONU sugere que cultivo, no entanto, manteve níveis de 2009; problema é maior nas províncias do sul e oeste do país dominadas por insurgentes e por redes do crime organizado.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, informou que a produção de ópio no Afeganistão caiu pela metade, se comparada aos níveis de 2009.

É também a menor taxa desde 2003. Ao todo foram produzidas 3,6 mil toneladas, um redução de 48% em relação ao ano passado. O ópio é o principal elemento na produção da heroína.

Crime Organizado

Mas segundo a agência da ONU, o cultivo da papoula permaneceu no mesmo patamar de 2009: em torno de 123 mil hectares.

Os dados foram publicados, nesta quinta-feira, no relatório "Pesquisa sobre Ópio Afegão". A queda na produção foi causada por uma praga que afetou a maior parte das plantações nas províncias de Helmand e Kandahar.

Cerca de 98% das plantações se encontram em províncias do sul e do oeste do Afeganistão. As áreas são dominadas por grupos insurgentes e por integrantes do crime organizado.

Preço Baixo

Para o diretor-executivo do Unodc, Yuri Fedotov, a queda na produção do ópio é uma boa notícia, mas não deve gerar um "falso otimismo" porque o mercado pode voltar a se tornar lucrativo para os plantadores de papoula.

De acordo com o Unodc, 92% da produção de ópio em todo o mundo têm lugar no Afeganistão.

Uma pesquisa, realizada em 2009, mostrou que os agricultores estavam dispostos a abandonar o cultivo por causa do preço baixo. Mas após uma onda de queda desde 2005, no ano passado, os preços voltaram a subir.

Problema Global

Segundo o estudo, um quilo de ópio seco vale agora US$ 169, o equivalente a R$ 287. Um aumento de 164% se comparado ao que era pago há apenas 12 meses.

O chefe do Unodc pediu uma estratégia abrangente para enfrentar a ameaça do ópio no Afeganistão que inclui fortalecimento das instituições, da segurança e do desenvolvimento.

Fedotov disse que se trata de um problema global que afeta a saúde e a segurança de muitos países.

 

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