Responsáveis da ONU e da UA debatem campo Kalma (Português África)

25 agosto 2010

A missão no Darfur diz que ainda não há segurança no recinto que acolhe milhares de deslocados, apesar de avanços conseguidos; tiros voltaram a ser escutados na noite.

João Rosário, da Rádio ONU em Lisboa.

A Missão conjunta das Nações Unidas e da União Africana no Darfur, Unamid, revelou que se mantém a situação de insegurança no campo de deslocados internos de Kalma, no Darfur do Sul, apesar de algumas melhorias.

O campo é um dos maiores do Darfur, albergando cerca de 82 mil pessoas antes dos recentes actos violentos entre os deslocados que apoiam o processo de paz e outros que são contra o modo como está a ser conduzido. Várias pessoas morreram nos protestos e muitas fugiram.

Contactos

A situação em Kalma está a ser tema de contactos entre responsáveis da ONU e da União Africana.

O representante especial adjunto da Unamid, Mohamed Yonis, e o presidente da Comissão da União Africana, Jean Ping, encontraram-se esta terça-feira para debater os acontecimentos do campo de deslocados internos.

No final da reunião, Mohamed Yonis destacou a colaboração em curso entre o governo sudanês e a Unamid para garantir a segurança dos deslocados internos de Kalma e fez notar o compromisso da missão em assegurar a tranquilidade e a ordem no campo.

Da parte da União Africana, Jean Ping reiterou o apoio da organização a todos os esforços para resolver os problemas de Kalma e apelou à Unimid para que continue a trabalhar com o governo e a usarem meios pacíficos para controlar a situação.

Tiros e armas

A Unamid revelou que foram escutados tiros durante a noite de segunda para terça-feira numa das áreas do campo de alojamento.

Uma patrulha da missão dirigiu-se ao local dos disparos onde encontrou quatro lança granadas e mais de 100 cartuchos de munição usados.

As organizações de ajuda humanitária e as autoridades governamentais estimam que residem no campo entre 50 e 60 mil pessoas. Cerca de 15 mil terão fugido para a cidade vizinha de Nyala e outros 10 mil para as imediações de Kalma.

Pelo menos 2,7 milhões de pessoas do Darfur são deslocadas internas ou refugiadas nos países vizinhos em resultado dos 7 anos de conflito nesta província do Sudão. Calcula-se que 300 mil pessoas terão morrido no conflito.

 

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