4ª Meta: Guiné-Bissau, saúde infantil e materna

20 agosto 2010

Ainda faltam cinco anos para o mundo cumprir os oito objetivos que prometeu. 2015 é o prazo final para o alcance das Metas do Milênio. Mas um balanço global dos avanços e ações que ainda precisam ser tomadas acontece este ano. Em uma série de programas especiais, a Rádio ONU vai analisar a situação mundial sob a perspectiva dos oito países de língua portuguesa. Os problemas e as soluções, as falhas e os progressos. No quarto programa vamos falar da Guiné-Bissau e dos esforços que este país da África Ocidental está a empreender para suprir as falhas na redução das mortes na infância e protecção das mães.Um grande desafio a um dos países com uma das maiores taxas de mortalidade infantil do mundo, e que tem trabalhado junto à Nações Unidas para alcançar as Metas do Milénio.

Não é bonito o cartão de visita que apresenta a Guiné-Bissau quando o tema é a saúde. Menos ainda quando se fala de protecção das crianças, de saúde infantil e de saúde materna.

Segundo o ultimo relatório sobre a situação da criança no mundo, este país, com 1,6 milhão de habitantes, figura no grupo dos Estados onde há mais mortes de crianças até aos 5 anos.

Instabilidade Política

Morrem de malária ou das diarreias provocadas por doenças como a cólera. Mas também por causa das fragilidades da rede de cuidados de saúde. Uma consequência de factores tão diversos como os anos de instabilidade política e militar, a falta de infra-estruturas básicas, o fraco dinamismo económico e até de uma rede de estradas no país.

"Somos todos um bocadinho responsáveis por essas coisas terríveis, mesmo que essas situações desumanas estejam a muitos quilómetros de distância. A meu ver, somos todos um bocadinho responsáveis".

Esta é a voz da embaixadora da Boa Vontade do Fundo da ONU para as Populações, Unfp, e apresentadora de televisão, Catarina Furtado. Ela tem alertado o mundo para o drama das crianças e mães da Guiné-Bissau.

O desafio de alinhar os resultados da Guiné-Bissau com o Objectivo de Desenvolvimento do Milénio para este campo é grande, sobretudo porque só faltam cinco anos para a meta de 2015. Mas estão a ser dados passos assinaláveis para melhorar.

Mudanças

Exemplo dos passos dados é a abertura de um bloco de operações para as grávidas que precisam de uma cesariana, na região de Gabu, há um ano. A embaixadora da Boa Vontade do Fundo da ONU para as Populações, Catarina Furtado, é testemunha das mudanças.

"Neste ano apenas houve uma redução muito significativa da mortalidade materna e neo natela. Já têm estatísticas e já mostraram o livro de registos das mães que deixaram de morrer porque puderam ser operadas a uma cesariana e isto é muito, muito positivo. A taxa baixou em 6% naquela região".

O adjunto do representantes do Unfpa na Guiné-Bissau, Joaquim Vicente Gomes, confirma que os resultados são fruto de uma estratégia.

"Aumentou o atendimento e a assistência nos partos por pessoas especializadas. Também o investimento em estradas, formação de pessoal médico e estruturas sanitárias, para oferecer um serviço de qualidade na área da saúde reprodutiva, que vai contribuir para a redução da mortalidade materna".

Pobreza Extrema

Catarina Furtado acrescenta: "Foram muitas vidas salvas, o que quer dizer que quando se investe em áreas como a saúde materna, que está provado que é uma grande ferramenta no combate à pobreza extrema, quando se investe no terreno com as pessoas certas, os resultados são sempre positivos".

Dados do Fundo das Nações Unidas para a População revelam que em cada mil crianças nascidas na Guiné-Bissau, 110 morrem às primeiras horas de vida, o que equivale a dois bebés mortos por dia, e ao pesado fardo que o país carrega de ter um dos mais altos índices de mortalidade neo-natal do mundo.

"Acho que falta mostrar às pessoas como é que é a vida das mulheres guineenses. Às vezes, trago imagens e tenho tido respostas de médicos e enfermeiros de Portugal que não faziam ideia que as mulheres morrem a dar à luz na Guiné-Bissau".

O adjunto do representantes do Unfpa na Guiné-Bissau,  Joaquim Vicente Gomes, confirma: "sabemos que a mortalidade materna na Guiné-Bissau está muito elevada.

Mortalidade Materna

No quadro na nosso apoio ao governo temos um programa de saúde reprodutiva que consiste na formação e capacitação dos quadros técnicos da saúde, reforço da capacidade institucional, equipar os centros de saúde e os blocos operatórios e ainda recuperar ou construir blocos operatórios. Já o fizemos em Bafatá e Gabu".

O sistema da ONU e as autoridades guineenses sabem que só haverá redução da morte infantil e das mães se a sociedade civil estiver envolvida, muitas organizações dão o seu contributo. O Conselho Nacional da Juventude guineense é uma delas, como confirma o presidente, Emanuel Santos.

"O nosso trabalho é no sentido de levar informação e sensibilizar os jovens para conhecerem os centros de saúde e de aconselhamento como forma de prevenir essas mortes que muitas vezes acontecem por negligência e falta de informação".

Falta de Informação

Catarina Furtado questiona: "dar à luz é um acto tão natural. Como é possível que haja tantas mulheres a morrerem num acto tão simples e tão bonito como dar à luz?"

Em curso, a estratégia de redução da pobreza guineense pretende acelerar o passo para cumprir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

Para a segurança das crianças significa o acesso aos cuidados de saúde, educação e protecção. Significa a vida. É um caminho que está a ser percorrido.

Produção e reportagens: João Rosário e Eduardo Costa Mendonça

Coordenação de Projeto: Mônica Villela Grayley & Carlos Araújo

Direção Geral: Michelle DuBach

 

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