Grandes cidades & HIV

12 agosto 2010

Responsável da agência da ONU diz que a crescente procura das cidades pelas populações vai manter-se no futuro por isso as urbes devem ter soluções para combater a pandemia.

João Rosário, da Rádio ONU em Lisboa.

O director executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV-Sida, Onusida, Michel Sidibé, alertou para papel central que as cidades podem desempenhar na luta contra a Sida.

Numa visita oficial a Xangai, uma das mais populosas urbes do planeta, Sidibé notou que, "apesar das cidades ocuparem um lugar central na resposta à pandemia, nunca houve mobilização nem apoio suficientes para que elas agissem", disse perante cerca de 100 responsáveis dos serviços de saúde chineses.

Liderança

Actualmente, cerca de metade da população do planeta vive em cidades e por altura do ano 2050, sete em cada dez habitantes do mundo viverão em mega-cidades de mais de 10 milhões de habitantes.

O director executivo do Onusida acredita que chegou a altura das cidades mudarem de modo a que elas "assumam a liderança na história do HIV".

O rápido crescimento das cidades criou condições onde o vírus da Sida pode florescer.

O Onusida estima que 50% do total de seropositivos vive hoje em cidades. Referindo-se ao facto de que as autoridades das cidades têm poder administrativo e redes de distribuição de serviços sociais, Michel Sidibé apelou a esses responsáveis que mobilizem todos os recursos necessários para garantir a todas as pessoas acesso à prevenção contra o vírus da Sida, tratamentos, cuidados e apoio.

Campanhas

Michel Sidibé deu como exemplo de sucesso a experiência realizada pelas autoridades da capital tailandesa, Banguecoque.

Uma campanha lançada no início dos anos 90 para a utilização do preservativo nas relações com prostitutas resultou numa descida pronunciada da prevalência da doença entre as trabalhadoras do sexo da cidade.

O director executivo da Onusida aludiu ainda às cidades de Sydney, na Austrália, Toronto, no Canadá e Genebra, na Suiça. Todas tinha em comum taxas altas de transmissão do HIV através de consumidores de drogas injectáveis por isso as autoridades locais puseram em marcha programas de substituição de agulhas e de terapias de substituição das drogas, de modo a conter a onda de propagação da pandemia.

Encontrando-se numa mega-cidade chinesa, Michel Sidibé desafiou as urbes do país a reponderem às suas populações que estão em situação de maior risco de infecção pelo HIV.

 

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