Crise está a ter forte impacto na luta contra fome e pobreza
Relatório conjunto do Banco Mundial e FMI informa que, em resultado da crise, um número adicional de 53 milhões de pessoas irá permanecer na pobreza extrema; apesar disso, o documento prevê uma queda significativa no total de pessoas que vivem com menos de US$ 1 por dia, relativamente a 1990.
Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova Iorque.
A crise económica global desacelerou a redução da pobreza nos países em desenvolvimento e está a dificultar progressos em direcção ao cumprimento das outras metas do milénio.
A afirmação consta de um novo estudo conjunto do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, FMI, divulgado na sexta-feira em Washington.
Impacto
O "Relatório de Monitoramento Global 2010: as Metas do Milénio após a Crise" revela que a recessão está a ter um impacto em várias áreas chave das metas de desenvolvimento, incluindo as que dizem respeito à fome, saúde materna e infantil, igualdade de género, acesso a água e controle de doenças.
O documento indica que a crise irá continuar a afectar as perspectivas de desenvolvimento a longo prazo mesmo depois de 2015.
O relatório do Banco Mundial e do FMI informa que, em resultado da crise, um número adicional de 53 milhões de pessoas irá permanecer na pobreza extrema.
Apesar disso, o documento prevê que o número total de pobres irá rondar a marca de 920 milhões em 2015, uma redução de quase 1 mil milhão relativamente a 1990.
Famintos
Baseada nestas projecções, o mundo em desenvolvimento está ainda a caminho de cumprir a meta do milénio de reduzir pela metade o número de pessoas que vivem com menos de US$ 1 por dia, entre 1990 e 2015.
Mas o objectivo de reduzir em 50% o número de famintos no mundo não deverá ser cumprido já que mais de 1 mil milhão de pessoas continuam a ter dificuldades para satisfazer as suas necessidades básicas de alimentação.