Acnur condena epidemia de violações sexuais na RD Congo

23 abril 2010

Dados da agência mostram que no primeiro trimestre de 2010 mais de 1,2 mil mulheres foram violadas através do país, uma média de quase 14 ataques por dia; mais de 1/3 dos casos notificados ocorrem no leste da nação da África Central.

Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, está alarmado com o elevado número de mulheres que continuam a ser afectadas por violência sexual na República Democrática do Congo.

Dados da agência mostram que no primeiro trimestre deste ano mais de 1,2 mil mulheres foram violadas através do país, uma média de quase 14 ataques por dia.

Impunidade

Um número idêntico de agressões sexuais foi registado no mesmo período de 2009 e o Acnur receia que o total de casos seja muito superior já que muitas vítimas preferem manter o silêncio com medo de serem estigmatizadas.

A agência das Nações Unidas disse esta sexta-feira em comunicado que está perturbada pela falta de justiça e a impunidade que continua a rodear esse tipo de crime. Segundo o Alto Comissariado as sobreviventes deveriam ser ajudadas a denunciar incidentes sem medo de represálias.

Mais de 1/3 dos casos notificados de violação sexual ocorrem nas províncias de Kivu Norte e Sul no leste da República Democrática do Congo. A região abriga cerca de 1,4 milhão de deslocados, incluindo 100 mil em acampamentos do Acnur.

Em muitas situações, as mulheres são violadas quando saem das suas aldeias ou campos para recolher lenha, água e outros bens essenciais para a sua sobrevivência.

Vulnerabilidade

O Acnur disse que está a fazer tudo ao seu alcance para reduzir a vulnerabilidade das mulheres. Em Kivu Norte, por exemplo, o órgão fornece fogareiros eficazes e lenha para evitar que as mulheres se desloquem para áreas inseguras.

A agência diz ainda que desde 2008 tem tentado fazer o seguimento de casos de violação sexual que chegam ao seu conhecimento.

Segundo dados da ONU, pelo menos 200 mil casos de violação foram notificados na República Democrática do Congo desde 1996.

 

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