Vítimas de acidentes de minas querem maior integração social

8 abril 2010

Conferência em Viena vai examinar como Estados irão cumprir as promessas que fizeram a sobreviventes e suas comunidades; três países africanos de língua portuguesa têm um número elevado de vítimas de acidentes de minas, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau.

Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Sobreviventes de acidentes de minas e bombas de fragmentação em todo o mundo ainda carecem de uma falta de acesso a serviços que poderiam satisfazer os seus direitos humanos básicos.

A afirmação foi feita esta quinta-feira pela Campanha Internacional para a Proibição de Minas Terrestres, Icbl na sua sigla em inglês, e pela Coligação sobre Bombas de Fragmentação, CMC, no início de uma conferência em Viena, na Áustria.

Promessas

O encontro vai examinar como Estados irão cumprir as promessas que fizeram a sobreviventes e suas comunidades. O evento reúne governos, funcionários da ONU, especialistas em assistência a vítimas, sobreviventes e a sociedade civil.

Firoz Ali Alizada, um sobrevivente e membro da Icbl, disse que vítimas de acidentes, particularmente em áreas remotas, continuam a sofrer fisicamente e vivem na pobreza. Alizada afirmou que eles querem contribuir e ser membros de pleno direito das suas comunidades, participando em actividades económicas.

Gustavo Oliveira Vieira, da Campanha Brasileira Contra Minas Terrestres, disse à Rádio ONU, de Porto Alegre, que o tratado de Otava, que proíbe as minas anti-pessoais, também prevê assistência aos sobreviventes de acidentes com minas.

"Ainda precisamos avançar muito na integração económica e social dessas vítimas, além da reabilitação física. E a exclusão económica e social é extrema quando a pessoa perde uma perna e se torna flagelada. Isso acaba tendo um impacto não só na vítima, na pessoa, no sobrevivente, mas acaba vitimando toda a família muitas vezes", disse.

Financiamentos

A reunião de Viena vai também debater o aumento dos financiamentos dos países doadores para garantir o cumprimento das promessas feitas aos sobreviventes.

Três países africanos de língua portuguesa têm um número elevado de vítimas de acidentes de minas, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau.

 

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