Prática de desaparecimentos forçados não caiu em desuso

26 fevereiro 2010

Grupo de Trabalho da ONU sobre o tema disse que o flagelo continua a afectar todas as regiões do mundo; desde a sua criação, há 30 anos, órgão já avaliou mais de 50 mil casos em cerca de 80 países.

Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Os desaparecimentos forçados continuam entre os piores abusos de direitos humanos jamais praticados no mundo.

A afirmação consta de um comunicado divulgado esta sexta-feira em Genebra pelo presidente do grupo de trabalho da ONU sobre o tema, Jeremy Sarkin, por ocasião do 30º aniversário da criação do órgão.

Ditadores Militares

Sarkin alertou que o problema continua a afectar todas as regiões do mundo apesar de muitas pessoas pensarem que a prática caiu em desuso.

Ele disse que enquanto no passado os desaparecimentos forçados eram perpetrados por ditadores militares, hoje em dia a prática é levada a cabo em situações complexas de conflito interno, especialmente como meio de reprimir e intimidar opositores políticos.

O especialista da ONU expressou particular preocupação sobre a contínua impunidade que rodeia o crime. Ele também salientou a intimidação de defensores de direitos humanos, familiares das vítimas, testemunhas e advogados que lidam com o problema.

Sarkin revelou que desde a sua criação, o grupo de trabalho das Nações Unidas já avaliou mais de 50 mil casos em cerca de 80 países.

Crime Terrível

Ele disse, contudo, que o problema não é mediatizado devido a uma falta de conhecimentos sobre o sistema internacional de direitos humanos e obstáculos que impedem familiares das vítimas de combater o que descreveu de terrível crime.

Sarkin pediu ainda à ONU para adoptar a data de 30 de Agosto como Dia Internacional dos Desaparecidos. Ele afirmou que um tal gesto daria mais visibilidade à prática, reforçando os meios para combater e erradicar o flagelo.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud