Jovens e Mudança Climática

18 dezembro 2009

Carlos Araújo e Daniela Traldi, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que o mundo está numa encruzilhada nos seus esforços para combater as alterações climáticas.

Ele afirmou, contudo, que nunca na história uma escolha foi tão clara: abraçar um futuro sustentável de crescimento verde ou continuar na estrada que conduzirá à ruína.

Falando na abertura da reunião de alto nível da conferência de Copenhaga, Ban deixou este aviso aos líderes mundiais.

O Secretário-Geral afirmou que eles têm de actuar agora ou então deixar aos seus filhos e netos uma dívida que nunca poderá ser paga.

Preocupações

O que é que os jovens de hoje pensam sobre mudanças climáticas? Como é que se sentem afectados? O que é que podem fazer para combater o aquecimento global?

A Rádio ONU colocou estas e outras questões a jovens estudantes do Rio de Janeiro, no Brasil e Maputo, em Moçambique.

Apesar de uma distância de mais de 7 mil kms, os jovens das duas cidades partilham as mesmas preocupações e frustrações.

Todos responsabilizam as gerações presentes e passadas pelo estado actual do planeta.

André de Virgilis, tem 20 anos, mora em Copacabana e estuda comunicação social.

"Eu acho que eles não faziam muito por ter isso né, as pessoas pensavam ‘ah, vai acontecer daqui a 1 milhão de anos', e hoje a gente está vendo os resultados. Então é uma questão de choque, a gente tá chocado pelo que está acontecendo" disse.

Eduardo Butter, estudante de publicidade de 19 anos.

"Eu acho que as gerações passadas entregaram para nós jovens um mundo do meio-ambiente como está agora, nessa condição. A consciência está vindo porque o aquecimento global está na mídia, está em todos os jornais, na televisão, nas revistas, mas tem um abismo entre você ter a consciência do problema e de você ter uma atitude para consertar isso" afirmou.

Sensibilização

Mas o que é que os jovens estão a fazer e podem fazer para travar o avanço das alterações climáticas?

Osvaldo Marques estuda engenharia ambiental na Universidade Técnica de Moçambique.

"Nós estamos a fazer sensibilização nas comunidades, em algumas escolas secundárias e primárias. E possívelmente também iremos fazer alguma sensibilização nas igrejas. Apesar de ser um pouco complicado incutir a idea nas pessoas, sendo um país que somos elas não têm aquela capacidade para perceber que fazer queimadas descontroladas, fazer uma exploração em demasia de recursos naturais vai prejudicar o ambiente" explicou.

Manuela Porto, estudante de educação física de 18 anos e André de Virgilis, sugerem medidas mais práticas.

"Eu acho que faço as coisas mínimas que qualquer um pode fazer. Não jogo lixo na rua, não tomo banho demorado, não gasto água, ando de bicicleta quando eu posso" disse.

André de Virgilis:

"Localmente é pouco mas se todos fizerem num âmbito global faz uma diferença" afirmou.

Protocolo de Kyoto

Qual a avaliação que os jovens fazem da actuação de governos e adultos no combate ao aquecimento global? As opiniões de Eduardo, Pedro Leonardo, estudante de jornalismo em Niterói e Felismina Cauque, estudante universitária em Maputo.

Felismina Cauque:

"A posição dos adultos em relação a este assunto é muito importante visto que eles servem de guia para nós. O comportamento deles é que vai guiar o nosso. Então, é importante que eles tenham um comportamento correcto em relação ao aquecimento global para que os jovens sigam esses passos" realçou.

Eduardo:

"Eu acho que os governos tem que deixar um pouco a questão económica de lado porque, de um jeito ou de outro, a economia vai sofrer com as atitudes que melhorem a questão do meio-ambiente e tem que ter a consciência que as gerações futuras vão sofrer muito mais do que a gente está sofrendo" disse.

Pedro Leonardo:

"Devem aderir ao protocolo de Kyoto, emitir menos gases e tentar fontes mais sustentáveis para produção" referiu.

Calamidades

Tanto Moçambique como o Brasil têm sentido directamente os efeitos da mudança climática. Os dois países foram atingidos nos últimos anos por períodos intensos de chuva que provocaram cheias devastadoras e desalojaram milhares de famílias. Vinícius de Albuquerque e Ilda Armando falam de alguns dos impactos do aquecimento global.

Ilda Armando, estudante universitária em Maputo:

"A temperatura em si é imprevisível.. É mais fácil prever qualquer coisa do que a temperatura, em Maputo, em particular. E afecta de uma certa forma os nossos planos e as nossas ideias para o futuro" afirmou.

Vinicius de Albuquerque, estudante de jornalismo, de 20 anos.

"As mudanças climáticas elas tem acarretado sérios problemas. A gente pode ver isso no Brasil, não tinham tantos furacões na região Sul, hoje em dia tem tornados meio que constantes"explicou.

Quais vão ser as principais consequências da mudança climática e que mundo os jovens esperam herdar? Osvaldo, Evaristo e Eduardo não parecem muito optimistas em relação ao futuro.

Osvaldo:

"Existem já algumas espécies em vias de extinção, e penso que a espécie humana vai sofrer daqui a alguns anos. Penso que nos próximos 100 anos vamos sofrer enormes consequências porque já com a chuva ácida e o próprio aquecimento global que é uma consequência das mudanças climáticas vai afectar o mundo de forma muito negativa" disse.

Evaristo, estudante de engenharia ambiental, em Maputo:

"Eu penso que com o aquecimento global podemos ter um mundo que não esperávamos. Segundo o último relatório do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades se até 2030 Moçambique não mitigar o impacto do aquecimento global vamos ter muitos problemas. Muitas cidades poderão desaparecer como é o caso da Beira e de outras que estão perto do mar"referiu.

Eduardo:

"A gente está vendo isso um pouco agora, o derretimento das ‘calotas' polares, terremotos, furacões, seja o que for mas a verdade é que daqui a pouco tempo isso vai estar muito mais forte e pode ser que seja tarde demais para consertar" afirmou.

Líderes Mundiais

As opiniões de jovens brasileiros e moçambicanos sobre o impacto das alterações climáticas no mundo. Centenas de adolescentes deslocaram-se a Copenhaga para pressionarem os líderes mundiais a tomar medidas urgentes e concretas para mitigar o aquecimento global.

A Terra não é um presente mas algo que foi emprestado e que terá de ser devolvido a futuras gerações, disse Darwin Pena, um rapaz de 17 anos da Bolívia.

A frase conclui este programa especial da Rádio ONU, que contou com a colaboração de Daniel Frailha do Centro de Informação da ONU no Rio de Janeiro, Unic-Rio e de Marta da Silva da Rádio Moçambique.

Apresentação: Carlos Araújo, Rádio ONU, em Nova Iorque.

 

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