Série Mudança Climática: Países Emergentes (2)

4 dezembro 2009

Enquanto parecem não existir mais dúvidas sobre a ocorrência de mudanças climáticas, prossegue o impasse sobre os cortes nas emissões de carbono entre os países desenvolvidos.

As nações emergentes ainda não conseguiram consensos decisivos em questões urgentes, como o estabelecimento de metas concretas para redução, transferência de tecnologia e suporte financeiro.

Como emissores de crescimento mais rápido, países em desenvolvimento como Brasil, China ou Índia deveriam liderar o caminho para um futuro com baixo teor de carbono?

Ou será que as nações industrializadas deveriam assumir a responsabilidade financeira pelas alterações climáticas devido ao seu passado histórico na área de emissões?

Em mais um programa de uma série sobre o tema, a Rádio ONU analisa os desafios e esperanças do mundo em desenvolvimento na abordagem sobre esta crise global.

Como nação mais populosa do planeta, a taxa absoluta de expansão económica da China, abastecida principalmente por carvão poluente, assegura que o país não irá perder tão cedo o lugar como um dos maiores emissores.

As suas políticas e estratégias em combater o aquecimento global se tornaram foco de crescente escrutínio.

Entretanto, na corrida para a Conferência da ONU sobre Mudança Climática em Compenhaga, a China tem sido chamada a exercer papel de liderança no combate às alterações e agora está na frente como um ‘modelo' para os países em desenvolvimento.

O professor Zou Ji, especialista em políticas da Universidade Renmin, tem servido como membro da delegação chinesa para os debates sobre o clima desde 2000. Ele disse à Rádio ONU que países industrializados tem explorado os benefícios de emissões ilimitadas nos últimos 200 anos.

Zou Ji afirma que o direito de viver é universal e igual. Ele pergunta porque é que os americanos podem lançar mais gases de efeito estufa na atmosfera do que os chineses?

De acordo com o Banco Mundial, mais de 250 milhões de pessoas na China vivem com menos de U$ 1,25 por dia. O professor ressalta que a prioridade chinesa agora é estimular a economia, erradicar a pobreza e melhorar as condições de vida da população. Mudanças climáticas estão no final da lista.

Urumqi é a capital da Região Autónoma Xinjiang Uyghur, no extremo oeste da China. É uma palavra mongól, que significa ‘belas pastagens'. De acordo com o Guiness, o Livro dos Recordes, é a cidade do mundo considerada mais afastada de qualquer mar.

Água é uma fonte preciosa para a população local. O pastor Aibulyhan, de 58 anos, pertence a um dos 13 grupos étnicos que habitam a região. Ele diz que não entende o significado das mudanças climáticas. Mas está claro que o tempo está cada vez mais seco, as terras de cultivo estão a diminuir e a tornarem-se menos férteis.

Aibulyhan afirma que tem 15 cabeças de gado, 20 cavalos e 50 cabras e que a Primavera é mais difícil devido à seca sazonal.

Mas o que é que grandes países emergentes como a China e o Brasil estão a fazer para combater o problema e liderar os debates para a confiança internacional?

Em entrevista à Rádio ONU em Julho, o Secretário-Geral da ONU Ban Ki-moon pediu aos países em desenvolvimento para injectarem ânimo sobre o impasse diante das discussões sobre o clima.

Ban Ki-moon disse que o crescimento verde e a economia verde podem criar mais empregos e uma recuperação mais rápida após a crise financeira global.

Para o director-técnico da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, Eneas Salati, essa recuperação depende da posição da China e dos Estados Unidos.

Ele afirmou que a China e os Estados Unidos, juntos, representam praticamente 50% das emissões do planeta. E que a solução para a redução dessas emissões é muito ampla.

"São várias as situações. Em primeiro lugar é a matriz energética do planeta. Mudança na matriz energética é uma coisa fundamental, isto é, você ter energias alternativas e uma série de tecnologias já disponíveis e que nem sempre são utilizadas, são utilizadas por alguns países e não por outros", afirmou.

A solução para o Brasil, segundo Eneas Salati, está na Amazónia.

"À medida que se desmata, que se queima, você está emitindo gases de efeito estufa. No Brasil praticamente a maior parte, quase 70% da responsabilidade brasileira vem exatamente do desmatamento da Amazônia".

A uma semana da Conferência da ONU sobre Mudança Climática, com o relógio correndo para Copenhague, será que os líderes mundiais irão alcançar um acordo histórico e selar um consenso?

Ainda é preciso mais tempo para o mundo encontrar todas as respostas que procura. Mas uma coisa é certa: os seres humanos tem as ferramentas e podem agora combater o aquecimento global de forma mais eficaz.

Apresentação: Carlos Araújo

Produção: Hao Cheng

Produção Executiva: Donn Bobb

Direção: Michelle DuBach

 

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