Crimes de guerra podem ter sido cometidos na RD Congo

9 setembro 2009

Dois relatórios divulgados esta quarta-feira pela ONU cobrem acontecimentos que ocorreram no último trimestre do ano passado, durante um período de intensos combates entre tropas do governo e rebeldes de Cndp.

Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos disse que existe a possibilidade de tropas do governo e rebeldes no leste da República Democrática do Congo terem cometido crimes de guerra e contra a humanidade durante um período de intensos combates no último trimestre do ano passado.

O órgão disse esta quarta-feira em Genebra, na Suiça, que dois novos relatórios sobre abusos de direitos humanos naquela região congolesa sublinham a necessidade do governo e a comunidade internacional implementarem reformas fundamentais nos sistema de justiça e segurança no país.

Combates

Os documentos foram preparados pela missão da ONU, Monuc e pelo escritório do Alto Comissariado para Direitos Humanos no Congo.

Eles cobrem uma série de acontecimentos que ocorreram nas províncias de Kivu Norte e Sul entre Outubro e Novembro de 2008, durante um período de intensos combates entre o governo e o grupo rebelde, Congresso Nacional para a Defesa do Povo, Cndp, liderado por Laurent Nkunda.

O porta-voz do Alto Comissariado para Direitos Humanos, Xabier Celaya, disse à Rádio ONU, de Genebra, que forças do governo também são acusadas nos relatórios.

"Um dos relatórios centra-se nas acções das tropas do governo, algumas das quais envolveram-se em actos de pilhagem em grande escala assim como mortes arbitrárias e violência sexual contra as pessoas que elas deveriam proteger em Goma e em Kanyabayonga.

Investigadores de direitos humanos da ONU documentaram pelo menos 12 casos de mortes arbitrárias por parte de soldados do governo e um total de 70 violações que acreditam terem também sido cometidas por tropas governamentais naquelas regiões entre finais de Outubro e meados de Dezembro", afirmou.

Execuções Arbitrárias

Investigadores da ONU confirmaram também 67 casos de execuções arbitrárias cometidas pelos rebeldes do Cndp na cidade de Kiwanja, 75 km a norte do Goma.

A Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, notou o recente anúncio do governo de uma política de tolerância zero em relação a abusos sexuais. Pillay disse esperar que ela seja seguida de actos concretos e imediatos para levar à justiça os principais responsáveis por esses crimes.

 

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